Prometheus-New-Poster

Sobre o que, enfim, fala Prometheus

em junho 19 | em Cinema | por | com 41 Comments

Uma coisa é certa: já faz uns bons anos que não temos nos cinemas algum filme de ficção científica que realmente faça as pessoas discutirem – talvez desde Matrix (1999)? Isso talvez soe como “fale mal, mas fale de mim”, porém “Prometheus”, de Ridley Scott, tem provocado, tanto na audiência média quanto especializada, uma repulsa que tende a cair em lugares comuns. Estes insistem em apontar os problemas de roteiro, o excesso de personagens coadjuvantes que não se aprofundam, a forte referência à Bíblia ou à religião católica, a grande quantidade de perguntas deixadas em aberto ou, ironicamente, que o filme é explícito demais, a ponto de se tornar óbvio (vide OmeleTV). Tudo isso para justificar e soltar o trocadilho de que “Prometheus e não cumprius”.

O problema é que, em tese, estamos muito acostumados com filmes que oferecem apenas uma bela imagem e uma divertida história – isto é, estamos nos satisfazendo apenas com a camada de entretenimento que uma obra pode ter. Talvez o último lançamento mainstream de filme sci-fi a propor uma trama mais rebuscada foi “Inception” (2010), de Christopher Nolan, o qual também terminou em aberto e também gerou polêmica por conta das influências de Satoshi Kon (“Paprika”, 2006) ou mesmo de uma história em quadrinhos do Tio Patinhas. Disso, “Prometheus” também não escapa, porque sua história é um grande aglomerado de referências múltiplas: narrativas mitológicas, dilemas da cibernética, o binômio inconstante entre a racionalidade e irracionalidade humana, a relação criador e criatura, registros arqueológicos, teorias da conspiração, outros filmes de ficção científica e assim por diante.

A sexualidade no filme

Seria mais fácil, primeiro, tomar o filme a partir de seu discurso amplo, o qual já recebeu interpretações desde o ponto de vista sexual até à questão mais metafísica. A primeira indica que “Prometheus” traz uma virilidade que se encontra adormecida na tetralogia Alien, cujo foco está na figura feminina de Ellen Ripley (Sigourney Weaver), mas também na presença da rainha Alien, como visto em “Aliens” (James Cameron, 1986) e em “Alien: Ressurection” (Jean-Pierre Jeunet, 1997). No “Alien” (1979) de Ridley Scott, o aspecto feminino é focado nas atitudes defensoras de Ripley que, mesmo diante do inimigo, protege o gato Jones até o fim da obra – o felino, inclusive, retorna em “Aliens”. Neste, a protagonista é novamente maternal ao “adotar” uma garotinha como sua filha, também protegendo-a até os últimos momentos. Ela, no entanto, não sobrevive à sequência, “Alien³” (1992), de David Fincher. Aqui, a personagem feminina se vê encurralada e ameaçada pela masculinidade de um presídio apenas para homens, a ponto de Ripley se abster de seus cabelos longos e de roupas que declarem seu gênero. Mas, ainda assim, é ela quem, enfim, lidera a trupe de prisioneiros e, no fim, descobre-se “mãe” de uma criatura que ela mata junto de si, em prol dos outros filhos – a humanidade.

O formato fálico e vaginal do alienígena provindo da junção “minhoca” e gosma negra traz à tona a temática erótica de H.R. Giger

Mas, em “Prometheus”, a figura do homem se apresenta de maneira mais forte, desde o aspecto físico dos Engenheiros (sendo que só conhecemos espécies do sexo masculino) até a criatura que se formou do encontro entre “minhocas” e o líquido negro germinante: este revigora o aspecto fálico da estética de H. R. Giger, propondo uma forma de falo que, ao se abrir, lembra uma vagina, mas também remonta ao crustáceo que abraça o rosto de suas vítimas hospedeiras nos demais filmes da franquia Alien. Não suficiente, este mesmo ser penetra o corpo de um dos tripulantes, inserindo também um tubo a partir da boca, remetendo ao sexo oral. Esse erotismo de Giger passa despercebido nos outros Alien, mas suas ilustrações à época já propunham um alien de cabeça e corpo fálicos. Com a ajuda da tecnologia 3D, a viscosidade e o relevo dessas formas se tornam ainda mais evidentes. Em contraposição, ainda temos a feminilidade das personagens Elizabeth Shaw (Noomi Rapace) e Meredith Vickers (Charlize Theron), sendo que a primeira representa a alma feminina, anima, dotada de irracionalidade e pulsão emotiva, enquanto a segunda traz um viés mais racionalista, porém não suporta ter seu sexo questionado pelo capitão Janek.

A metafísica em “Prometheus”

É notável que Shaw carrega, em seu pescoço, um colar de cruz, do qual não quer se livrar nem mesmo quando está em observação, na ala médica da nave. O acessório, no entanto, tem menos a ver com a sua simbologia cristã do que com o valor simbólico que a personagem tem por ele. Logo no início de “Prometheus”, David (Michael Fassbender) assiste aos sonhos de Shaw, nos quais ela se reencontra com o pai. Este começa a lhe responder questões sobre céu e inferno, sobre o que há após a vida, apesar de ele não saber como argumentar, senão que escolheu acreditar que há um paraíso, já que não se sabe o que realmente há. Isto é, mostra-se que a personagem escolhe ter essa fé, mesmo sabendo, com seu lado racional, de que não é possível provar.

Muito da ciência é baseada nesse conflito entre o inexplicável e o empírico/comprovável, no entanto, com o reforço das propostas ateístas, põe-se a ciência como a única e mais condizente forma de conhecimento a ser seguida pelas pessoas – tanto que Carl Sagan escreveu o livro “O mundo assombrado pelos demônios” (1997), no qual ele praticamente vê a ciência como a luz diante das trevas da irracionalidade (seguindo a lógica do conceito iluminista). Contudo, o próprio Sagan escreve sobre OVNIs e tem conhecimento de astronomia/astrofísica, sendo que justamente esta ciência se fundamenta na crença de que o Big Bang simplesmente aconteceu do nada. E é preciso aceitar isso, porque não se tem (ainda?) como descobrir o que havia antes. Porém, essa fé não é a mesma que simplesmente faz o crente calar e consentir, mas é a que o faz aceitar que certas coisas são inexplicáveis (por enquanto?) mas que, ainda assim, podemos seguir em frente. E é isso que Shaw faz: ela crê em algum ser maior que criou os humanos, mas ela não se contenta apenas com a idéia, tanto que segue seu trabalho arqueológico e inclusive convence Peter Weyland de criar uma missão para levá-la aos confins do universo, em busca dessa dúvida criada pela fé.

Não são só as religiões que pensam numa força criadora de tudo, mas a ciência também busca entender isso, de outras maneiras. Na realidade, é impossível separar totalmente a gnose da ciência, justamente porque seres humanos são uma mistura desequilibrada e em constante turbulência de elementos racionais e irracionais. E é por isso que Peter Weyland (Guy Pearce), mesmo sendo um dos maiores nomes da cibernética, vai ao espaço para tentar encontrar o seu criador: ele não sabe quem é, mas aposta na hipótese de Shaw. Isso, aliás, coincide com a expressão em inglês “meet your maker”, que tanto significa literalmente encontrar seu criador quanto enfrentar a própria morte – e Weyland não quer morrer. Por isso, ele permanece em repouso durante a viagem inteira, porque reservou seus últimos instantes de vida para se encontrar com o criador, o Engenheiro, imaginando que este, que lhe deu o dom da vida, também pudesse lhe conceder a eternidade. O personagem, então, segue a mesma linha de raciocínio emotiva do arquétipo representado por Shaw, enquanto sua filha, Vickers, mantém-se fria e irracional, chegando a dizê-lo que todo rei tem seu reinado, mas também tem sua queda – como se quisesse que o pai aceitasse a própria morte. No entanto, quando ela mesma está de cara com o próprio fim, inevitavelmente a racional Vickers grita um “não” que traduz o medo e o não aceitamento real da morte. Tais características disfarçadas na personagem são traduzidas no compartimento da nave onde Vickers se instala. Este é independente e pode ser expelido da Prometheus, garantindo mais dois anos de vida à pessoa que o habitar. Fora isso, quando o capitão Janek resolve jogar a Prometheus contra a nave alienígena, ela foge desesperadamente da morte.

Peter Weyland diante do único Engenheiro encontrado vivo na nave alienígena

No caso de Weyland, realmente seu fim acontece ao mesmo tempo em que ele encontra o criador, que se mostra hostil diante da criatura. Essa atitude pode ser vislumbrada desde a conversa entre David e Holloway (Logan Marshall-Green), pouco antes de o andróide inserir a gosma negra na bebida do humano. A máquina, que não age senão por ordens (expedidas por Weyland, através do capacete que David invariavelmente veste), ainda faz um jogo de perguntas com Holloway, tentando encontrar nas brechas da linguagem uma forma de também receber a autorização do cientista. Ao perguntar o que Holloway faria pela sua empreitada em busca do criador, este responde que faria qualquer coisa. E isso autoriza David a torná-lo cobaia dos experimentos de Weyland. Lembrando que, em toda a tetralogia Alien, Ripley se põe contra essa ambição da empresa. Aliás, em todos os filmes a atitude da Weyland é vista como prejudicial e insana, já que a protagonista sabe que não há como lidar com os xenomorfos, que eles são apenas máquinas de destruição e que não tem porque pesquisá-los – tanto que ela chega a jogar, no segundo filme, uma bomba atômica sobre o planeta-berçário que é vislumbrado em Alien e Aliens. Isto é, enquanto Alien é uma sequência de filmes que visam à sobrevivência, “Prometheus” incorpora o mito do titã que rouba o fogo na vontade de saber mais, de evoluir.

Mas, retornando às interações entre David e Holloway, é notável que o humano trata o andróide com certo desdém, fazendo piadas de sua incapacidade de ter emoções ou sentimentos, além de mencionar outras de suas limitações como ser artificial. O andróide, no entanto, é cauteloso e entende a posição em que se encontra, mas ainda assim provoca o cientista, fazendo-o pensar em analogia como seria o encontro entre ele e seu criador, pensando na própria relação entre ele e David. Talvez os criadores não fossem tão simpáticos com suas criaturas, como Holloway não é com David e como o Engenheiro não foi com os humanos que encontrou. Talvez, quando perceberem que suas criações já não são tão mais úteis ou não seguiram o caminho que previam, saem de seu controle, os criadores tentarão eliminá-los (como nas distopias, por exemplo, Matrix) – e, justamente, a nave que a tripulação de Prometheus encontra é uma instalação militar que, por motivo desconhecido, não chegou a concluir seu objetivo: ir à Terra para destruir os humanos.

Por que o criador faria isso? Não se sabe. E é esse o motivo que faz com que Shaw não queira voltar à Terra, mas seguir em uma viagem com David, quem diz saber como chegar ao planeta natal dos Engenheiros – porque a lua onde Prometheus aterrisa não é a origem dos Engenheiros, bem como não é o mesmo planetóide onde acontecem as histórias de “Alien” e “Aliens”. Isso pode ser concluído conforme o Space Jockey (aquela carapaça numa das alas da nave dos Engenheiros) de “Prometheus” não é o mesmo de “Alien” - a diferença é visível e também lógica, já que a carapaça cresce sobre o corpo do Engenheiro, transformando-se em sua armadura, e não permanecendo fechada mesmo depois que ele sai e vai de encontro com Shaw, no compartimento expelido da nave principal. Fora isso, a nave foi impedida de levantar vôo em “Prometheus”, que se passa antes de “Alien”, portanto não teria como ela ter voado para lá depois.

O fato é que muitas dessas dúvidas deixadas em aberto poderão ser respondidas na seqüência que Ridley prevê para “Prometheus”. Em entrevista para o site Movies.com, o diretor disse que o final, deixado em aberto, abre várias possibilidades e ele deseja fazer uma continuação, na qual exploraria para onde Shaw vai, junto de David. “Porque se lá é o Paraíso, então o Paraíso nunca pode ser o que você espera; é um lugar que tem uma conotação de ser extremamente sinistro e ameaçador” – assim como os próprios Engenheiros. Tanto quanto a busca pelo criador, o descobrimento do paraíso também é uma alegoria que permeia a história da humanidade – nós que o digamos, já que o Brasil era tido como o paraíso que os europeus descobriram. Mas, pior do que ter encontrado os Engenheiros, seria ainda descobrir quem foi que os criou. Essa questão é rapidamente levantada no filme, mas ela permanece tão em aberto na obra quanto para nós. Contudo, em uma crítica publicada recentemente no io9, considera-se a tendência suméria escolhida por Ridley para entender que, talvez, “quando nós entendemos a extensão dos mitos que envolvem deuses com ajudantes divinos, fica a pergunta se os Engenheiros foram meramente servos de algo maior” – isto é, esse “criador dos criadores”.

Complexidade pretendida, mas não alcançada

Existe ainda uma tendência daqueles que não gostaram de “Prometheus” em achar que o filme é pretensioso, que todas essas questões levantadas nesta e em outras críticas à obra deveriam aparecer no filme e não no desdobramento das interpretações feitas por outrém. Mas se pegarmos filmes como “2001, Uma Odisséia no Espaço”, por exemplo, não conseguimos entender quase nada das cenas, como aquela dos macacos. Precisamos de uma ajudinha para tentar desvendar a obra e isso não a torna obscura ou pretensiosa, mas, justamente, uma obra de arte: porque provoca, instiga e se torna um meio de reflexão e não algo a ser simplesmente consumido e descartado. Quantos desdobramentos são possíveis de se imaginar a partir de filmes blockbuster? Quantas reflexões filosóficas circundam tais produções, senão as que permanecem à sombra da moralidade de rebanho, como diria Nietzsche?

O caso é que, se o espectador foi ao cinema esperando um literal prelúdio a “Alie”n, certamente acabou frustrado, porque, apesar de Ridley Scott ter dito isso em certa altura, não foi o que aconteceu no fim das contas. “Prometheus” entra em contato com o mundo da tetralogia Alien, mas suas questões se situam em um outro âmbito, tanto que chegam a quase se contrapôr à lógica da série (como dito anteriormente). Há alguns pontos de encontro, como a empresa Weyland, uma inscrição com o formato do alien numa das paredes da nave dos Engenheiros, ou mesmo o híbrido que resulta do molusco nascido de Shaw e que se apodera do Engenheiro. Este não é o mesmo que aparece nos outros Alien, já que seus dentes não são transparentes e os caninos não são proeminentes, sua cabeça difere no formato e sua língua não é composta por uma “nova criatura”. Estes seriam, talvez, os maiores pontos de encontro com a franquia Alien – daí a decepção.

“Prometheus” é um filme mais existencialista, que se apodera da ficção científica para falar de coisas que dizem mais ao humano e à filosofia do que à tecnologia e sua extrapolação. Como diria Vilém Flusser, filósofo tcheco-brasileiro, em sua obra “Vampyroteuthis infernalis” (2011, Annablume), não se pode criar fábulas que sejam apenas teias secretadas por pesadelos e sonhos, mas deve-se “recorrer às redes das ciências, que são os únicos órgãos dos quais dispomos atualmente para orientarmo-nos nas produndezas. Não é que tais fábulas devam ser ‘ficções científicas’, isto é: científicas a serviço de pesadelos e sonhos. Devem ser ‘ciências fictícias’, isto é: superações da objetividade científica a serviço de um conhecimento concretamente humano”.

Possíveis interpretações das “falhas de roteiro”

- Por que a Weyland contrataria um geólogo como o Fifield e um biólogo como o Millbourn?

Porque talvez eles tenham se mostrado profissionais competentes ou mesmo determinados a simplesmente obedecer o protocolo e terminar logo a missão, como no caso de Fifield (Sean Harris). Este, ao conversar com Holloway, já deixa claro que não está lá para fazer amigos, mas para fazer o serviço. Ele se vê preparado, torna a expedição uma piada mesmo quando Shaw revela o objetivo. No entanto, é clichê que personagens que se acham demais acabam sendo os primeiros a morrer no filme. No caso, antes disso, Fifield ainda desiste de seguir na exploração da nave, temendo encontrar algo que fuja de seu controle – há algo mais humano do que o medo? Além do mais, em todos os Alien há personagens controversos e superficiais que acabam servindo de estatística de mortes causadas pelo xenomorfo.

Por que Fifield e Millburn (Rafe Spall) se perdem na nave dos Engenheiros, quando decidem voltar à Prometheus?

Porque eles perderam contato com a Prometheus, depois da tempestade. Após Fifield ter acionado as esferas que mapeavam o lugar em um mapa holográfico, apenas a nave tinha acesso a essa informação. Com as comunicações cortadas, naturalmente eles se perderiam.

Por que Millburn tenta tocar no alien que nasce da minhoca em contato com o líquido negro?

Talvez porque, sendo biólogo, ou seja, tendo domínio e conhecimento sobre diversas espécies, ele pensou que conseguiria domar o alienígena. Na verdade, se reparar bem, ele trata o bicho como se fosse uma cobra, tentando domá-la pelo olhar para então sabotá-la e tomá-la em mãos. Porém, quando ele faz isso, o alien se enrola em seu braço.

Por que o alien que veio da Shaw parece um molusco, quando em Alien não se tem nada parecido?

Possivelmente se trata de uma alusão ou homenagem ao escritor H.P. Lovecraft. É conhecido que seu livro, “Nas Montanhas da Loucura” (1936), foi usado como uma das principais fontes de pesquisa da franquia “Alien”. A obra trata de uma expedição científica à Antártida, na qual se descobrem seres extraterrestres antigos, os “Elder Things”, que chegaram à Terra milhões de anos atrás. Quando a expedição é surpreendida por um “Elder Thing” que é reanimado, o restante dos exploradores acabam achando uma enorme cidade alien abandonada. Lá eles descobrem que essas criaturas que criaram o local foram extintas por uma raça de seres amorfos e gelatinosos, conhecidos como “Shoggoth”, dos quais se tornaram escravos. Daí já tiramos muito da história de “Prometheus”, sendo que o líquido negro germinante do filme de Ridley Scott tem muito a ver com esse Shoggoth. Tendo isso dito, a comparação entre o molusco que sai do ventre de Shaw e o Cthulhu não mais parece estranha.

Por que a tripulação tirou o capacete, se ainda poderia ocorrer risco de contaminação?

Boa pergunta, mas ela não aconteceu por vias aéreas, no fim das contas.

Por que aparecem hologramas dos Engenheiros fugindo?

Talvez este holograma seja como uma gravação das câmeras de segurança que temos hoje. Ele foi acionado pelo David, e aí começou a ser rodado o que havia acontecido nos últimos instantes após a ocorrência que impediu que os Engenheiros erguessem vôo rumo à Terra.

Por que o Engenheiro decapitado está indo de encontro com os vasos com a gosma negra, se ela é capaz de matá-lo, como visto no começo do filme?

Não dá para saber exatamente o motivo, mas essa gosma seria talvez a arma química que eles usariam contra os humanos. É também uma substância que também é danosa a eles, assim como a bomba atômica, as granadas e os mísseis também são capazes de matar aqueles que os disparam durante uma guerra.

Como que a Shaw, depois da cirurgia, ainda consegue fazer tudo o que faz?

Porque ela é a heroína e porque o filme também é de ação. Não tem porquê reclamar disso, já que em praticamente todas as obras de ficção, vale lembrar, com heróis protagonistas sempre há uma trajetória épica e super-humana por parte dessas personagens. Se não extrapolam na força, extrapolam na coragem ou na sorte e por aí vai… Pode ser um problema, mas é algo que já está disseminado no gênero.

Por que o capitão resolve se jogar contra a nave alienígena?

Em uma conversa com a Shaw, ele comenta que ele estava naquela missão justamente para não deixar as coisas saírem dos trilhos. E que ele faria qualquer coisa para impedir que a humanidade sofresse com as conseqüências daquela missão. Portanto, sua atitude suicida tem a mesma essência das atitudes de Ellen Ripley, nos outros filmes, e os outros assistentes de vôo o seguem nessa empreitada, arrematando a passagem mártir.

Por que o Weyland só aparece depois?

Porque, como já dito, ele estava em repouso, economizando suas últimas forças para poder se encontrar com o criador antes de morrer.

Referências culturais ao longo do filme

“Paraíso perdido”

A primeira cena do filme, na qual um Engenheiro bebe o líquido negro à beira de uma cachoeira, tem a ver com os mitos antigos dos príncipes que serviam e então se sacrificavam, de modo a fertilizar a terra com seus corpos. Contudo, essa cena ainda remete aos anjos caídos presentes no poema “Paradise Lost”, do poeta inglês John Milton. Vale dizer também que, antes de “Prometheus” receber esse nome, Ridley pensou em chamá-lo Paradise, mas foi aconselhado de que esse título tornaria a influência muito óbvia.

William Blake

A figura dos Engenheiros lembra muito os seres sobrenaturais que aparecem nos desenhos do poeta romântico e artista William Blake. Mais conhecido por suas imagens (inclusive, ele ilustrou o “Paradise Lost” de Milton e o “Inferno” de Dante Alighieri), estas são preenchidas por seres pálidos e muscolosos de aspecto celestial, além de serpentes e bestas com tentáculos.

“Eram os deuses astronautas?”

O livro “Chariots of the Gods? Unsolved Mysteries of the Past” (1968), de Erich von Däniken, aborda justamente a idéia de que “astronautas ancestrais” trouxeram tecnologia avançada e até mesmo vida à Terra. Dentre as afirmações feitas pelo autor está a de que os milagres descritos na Bíblia e em outras religiões ancestrais (desde a Roda de Ezequiel às histórias de anjos e deuses descendo à Terra em carruagens), na verdade, tratam-se de encontros com seres alienígenas. Von Däniken ainda aponta que esses extraterrestres ancestrais teriam “plantado” a vida na Terra com seu próprio DNA (daí a primeira cena de “Prometheus”) e que teriam trazido a tecnologia que possibilitou a construção das pirâmides. Tais conteúdos serviram de inspiração também ao já citado H.P. Lovecraft.

Pinturas rupestres

Espectador compara o posicionamento dos corpos celestes no mapa estelar apontado em Prometheus com a constelação de Orion

As pinturas que Elizabeth Shaw descobre, logo no começo do filme, em um lugar chamado Isle de Skye, têm a ver com as pinturas paleolíticas encontradas no sul e no oeste da França (Chauvet, Trois-Frères, Lascaux) e no norte da Espanha (Altamira). Mas, mais que isso, existem realmente pinturas antigas que registram constelações, assim como pode ser visto nesse link. Ademais, as civilizações apresentadas como autoras das imagens expostas pelo casal (maia, mesopotâmica e havaiana) têm como característica em comum um grande desenvolvimento na área da astronomia. Os mesopotâmicos e os maias construíram observatórios dos quais eles tiravam medidas detalhadas de corpos celestes, e os havaianos e moradores de ilhas do Pacífico só conseguiram atravessar longas distâncias através do oceano por causa de sua capacidade de guiar as navegações a partir das estrelas.

“Lawrence da Arábia”

Este é o nome do filme que David vê no começo de “Prometheus”. A obra, dirigida por David Lean em 1962, é uma das preferidas de Ridley Scott. Fascinado pelas imagens e pelos diálogos, o andróide repete algumas citações ao longo do enredo, tais como “Não há nada no deserto, e nenhum homem precisa de nada” (enquanto ele explora a nave alienígena) ou então “Coisas grandes têm começos pequenos” ao examinar a gosma, já na nave Prometheus. Essa mesma frase é também dita por Peter Weyland, uma vez que tanto ele quanto o andróide têm ciência da natureza perigosa da biotecnologia com a qual estão lidando. Fora isso, o fato de David ter tingido seu cabelo de loiro, por causa de um dos personagens de Lawrence da Arábia, indica que ele não é uma máquina comum, mas que está desenvolvendo uma personalidade complexa.

A cabeça gigantesca

Essa escultura, encontrada numa espécie de santuário dos Engenheiros, é uma das principais imagens de “Prometheus”. Representando tanto um deus quanto um rei poderoso, a grande cabeça simboliza também o orgulho dessa raça alienígena. É conhecido que várias civilizações antigas esculpiram gigantescas cabeças, como foi o caso dos olmecas, egípcios e cambojamos, e mais recentemente os habitantes da Ilha da Páscoa. Em Roma, a cabeça colossal do imperador Constantino está exposta no Museu Capitoline – apesar de boa parte da escultura ter desaparecido. Além disso, a cabeça representa um elemento totêmico de admiração, lembrando os apontamentos de Freud sobre a temática.

O medo do deus vingador

“The Deluge” (1834), de John Martin

No fim de “Prometheus”, Shaw questiona aquilo que muitos espectadores também tiveram curiosidade em saber: por que os Engenheiros criaram os humanos para depois querer destruí-los? Esta é uma alusão tanto ao mito bíblico da enchente, na qual Deus extingue a humanidade por causa de sua maldade, e também ao mito grego de Deucalion, na qual Zeus manda uma enchete para extinguir os humanos devido a sua tolice. Em ambas as hitórias, inclusive, há a forte presença de um casal: Noé e sua esposa, na Bíblia; Deucalion (filho de Prometeus) e Pyrrha, no mito grego. Estes sobrevivem e, então, regeneram a raça humana. No caso de “Prometheus”, sobra o casal de uma humana e um andróide.

Enfim, são algumas formas de se pensar o filme, mas nada que realmente seja uma verdade absoluta. Só fica aí um norteio para quem não entendeu ou para quem achou que o filme é raso ou ilógico. Sobre os erros de lógica e de roteiro, lembrem-se que os outros filmes da franquia possuem problemas ainda mais críticos, como o fim de Aliens, quando a Ripley abre uma porta para o vácuo do espaço e tudo passa a ser sugado – inclusive o alien, que se segura na perna da protagonista, a qual, ainda assim, sobe a escada e se livra do xenomorfo.

No fim das contas, para terminar citando um artista curioso e polêmico, Douglas Pearce (da banda Death in June), “toda arte, seja em forma de música, literatura, pintura etc que se preze deve estar aberta à intepretação. (…) Esta é a natureza da arte que desafia ou confronta o consumidor, ou o consumidor em potencial, a ter outra interpretação”.

Referências

Decoding the Cultural Influences in “Prometheus”, From Lovecraft to Halo. The Atlantic.

Ridley Scott fala da continuação e sai uma foto com um importante trecho deletado do filme. Omelete.

FLUSSER, Vilém. Vampyroteuthis infernalis. São Paulo: Annablume, 2011

HERSCHEL, Wayne. The hidden records.

HESSEL, Marcelo. Vamos falar sobre sexo? Crítica de Prometheus. Omelete.

WILLIAMS, David J. One theory that finally explains what’s going on in Prometheus. io9.

Pin It

Posts Relacionados

  • http://twitter.com/JohnBogea John Bogéa

    Te amo, Zuin.

  • Andre Luis

    Muito bom! Especialmente para mim, que pretendo ser escritor e crítico de ficção!

  • Ro O

    Olá Lidia, parabenizo vc pela critica, acabei de ler aqui do ônibus. Achei realmente interessante a analise que vc fez do filme, muito a fundo. E gostei principalmente de vc ter colocado as referências que o filme talvez faça. Ainda, não me convence quanto ao filme ñ ser pretencioso. O Raphael Fernandez, me falou das possibilidades que o filme apresenta. Mas elas são breves e simples, 2001 é um filme q vc se questiona a todo momento, por ele ñ responder nada. Comparado a Inception, Prometheus ñ te obriga a pensar tanto, como filme, o estilo da direção pega mais na mão do telespecatdor e mostra as respostas. Ñ que Inception, seja um filme mais filosófico, ou melhor. Mas a direção do Christopher Nolan, que é um diretor de blockbusters, ambos são, ele e Riddley Scott, é didática, mas faz pensar.
    Também ñ acho Riddley Scott um diretor tão filosófico assim, tirando Blade Runner q é uma adaptação de um livro de ficção cientifica. Seus filmes são invarialmente de sobreviventes que estão no seu limite.
    O que quero dizer é que, na minha opinião fecal, Alien, por exemplo, ñ é filme de ficção, isso é o menos importante no filme, Alien é um filme de suspense com terror. A ficção científica do filme, serve apenas de ambientação. Enquanto Prometheus, tenta ser mais filosófico, ao mesmo tempo q um filme de ação.
    Eu gostei do filme, mas é apenas um filme bom. Ñ é espetacular.
    No mais, nada mais.

  • Tibor Moricz

    Devo supor que você gostou do filme? :)

    • http://www.facebook.com/profile.php?id=100000015169550 Lidia Zuin

      O que você acha? huahauahah

      • P.H. Jornalista

        Por isso o texto tenta justificar a pataquada que foi o filme. Recomendo os 3 originais, principalmente o 1º e o 3º.

        • http://www.facebook.com/profile.php?id=100000015169550 Lidia Zuin

          Calma, P.H. Jornalista. Quando eu escrevi isso, eu já sabia que ia ter gente que iria discordar e achar que é forçar a barra. E você tem todo direito de fazer isso, assim como qualquer um que ler o texto. Só não precisa ficar agressivo. Eu revi todos os filmes da franquia Alien antes de assistir ao Prometheus e todos eles têm vários problemas, inclusive tem uma página mostrando 48 erros no Alien do Ridley Scott.  (http://www.moviemistakes.com/film37/page1) Todo filme tem problemas, mas você acha mesmo que as falhas de Prometheus fazem com que o filme inteiro e a proposta toda seja um lixo?

          • Lesma

            Concordo com vc Lidia. O filme Prometheus está tão bom quanto Alien: O Oitavo Passageiro. Mas parece que hoje em dia as pessoas querem filmes intelectualizados, mas fáceis de digerir. 

            Acho super natural duas pessoas adultas se perderem em um ambiente estranho, principalmente se este for hostil e alienígena. Científicamente, sabe-se lá que tipo de interferência uma nave alienígena causar nas telecomunicações, se diferentes setores da nave tinham diferentes campos magnéticos ou mesmo se a nave era um organismo gigante feito de metal. Não dá pra responder. Simples assim.

            Quanto ao biólogo tentar encostar em um organismo alienígena, e o fato de isto ser improvável, eu discordo. É improvável um profissional treinado cometer um erro em um momento de tensão? Falha humana é algo improvável? Teria sido o primeiro organismo alienígena encontrado por seres humanos, sendo que já se possuía a tecnologia de viagens interestelares? Eu acho que a respostas a essas perguntas é não. Não é improvável. E talvez já se tenha encontrado organismos em outros planetas naquele universo e naquela época, 

            Também acredito que o droid tenha tido tempo de sobra pra estudar as linguagens antigas terrenas que eram semelhantes a escrita alienígena. Matemáticos defendem que com os algorítmos certos qualquer tipo de comunicação pode ser desvendada, assim, quem melhor que um computador ultra avançado para lidar com algorítimos? Então baseado em um código antigo que o droid teve dois anos para decifrar ele bem que poderia ligar o sistema de gravação de segurança da nave alienígena, não? Ou alienígenas mais desenvolvidos não poderiam gravar registros de suas atividades?

            Sobre como Shaw poderia dançar balé com a barriga aberta eu já comentei sobre isso.

          • Cursed Weaver

            Algumas informações a respeito das referencias devem ser citadas:
            O planeta no qual a expedição do filme Prometheus ocorre é o LV-426 enquanto que o planeta que envia a distress call no filme alien é LV-223, não são os mesmos planetas(luas).
            O space jockey encontrado no filme Alien está “fossilizado” ou assim crêem os tripulantes da Nostromo, sugerindo um intervalo considerável entre a morte do space jockey e a chegada do grupo.

          • http://www.facebook.com/profile.php?id=100000015169550 Lidia Zuin

            Fato. Esqueci de acrescentar esse detalhe básico que faz com que se veja a diferença entre o local de Prometheus e o de Alien, justamente o nome dos corpos celestes.

          • Ed

            Outro detalhe que acrescento aos seus é o facto de que quando o capitão lança a nave terrestre contra a dos “engenheiros”, estão presentes no “cockpit” três representantes das principais “fontes de material genético humano”: Branco caucasiano; Negro e Oriental, gostei bastante desse detalhe em que não foi apenas um “”genuin american hero” a “salvar o dia”.
            Sobre as “filmagens” tridimensionais que passam, acivadas pelo andróide, imaginem que nossos aviões actuais não se desfacelavam todos ou “desintegravam” como o que “bateu” no pentágono, Twin Towers e o outro que ia contra a Casa Branca no caso excepcional do 11/09 e que, como no caso das naves como vimos no filme se despedaçãvam em grandes bocados, esse sistema operacional para contar a história do aparelho deixa as caixas negras envergonhadas e mostram detalhadamente os últimos momentos que antecederam um qualquer desastre aeronáutico e serviriam não apenas para registo mas inclusive para ensinar possíveis tripulantes sobreviventes que não soubessem como pilotá-la em caso de desastre.

            Sobre as criaturas “alien” ok, pode-se ter em conta que essa teria eventualmente sido a génese da criatura, tal como os humanos foram criados e passaram por diversos estágios evolucionários até hoje, onde a alimentação e meio ambiente foram os principais mecanismo que nos concederam as características actuais, então porque nao esse factor se adequar também a esses seres?

            Sobre o liquido negro, bem, aprofundando a realidade e mesclando-a com alguma dose de ficção e de eventualidades esquisitas, as referências aos antigos mesopotâmicos e sumérios são excepcionais no filme, para quem já se deu ao trabalho de pesquisar sobre a origem das antigas religiões e mitos presentes nas mesmas, facilmente percebe que, praticamente todas elas, inclusive a judaico-cristã possuem um denominador comum e sua origem se encontra na mesopotâmia, facto que no filme achei demais explorarem a nivel da linguista e da relaçao com os engenheiros criadores (Deuses para eventuais humanos antigos), vejamos agora que a Mesopotâmia é o actual Iraque, rico num liquido negro (petróleo), na guerra do golfo e actualmente, na invasão, perseguição e subconsequente captura e morte de S. Hussein, existiram indicios e fortes rumores de que esquadrões americanos saqueram museus e sítios arqueológicos Iraquianos, razão? – Ninguém sabe, mas constou que procuravam “algo”…percebem a analogia aqui? Mesopotâmia = Berço da maior parte das religiões, Líquido negro, etc, etc…depois as antigas lendas e mitos dos Annunaki, etc, etc…bem, muito para escrever, pouco tempo para fazê-lo…muita teoria…enfim…

        • http://twitter.com/JohnBogea John Bogéa

          Eita, quanta irritação. Perto de outros filmes que vi este ano, Prometheus tá é bom demais.

  • P.H. Jornalista

    Impressionante seu esforço para justificar as mancadas do filme, que de terror e suspense não tem nada.
    - Por que Fifield e Millburn (Rafe Spall) se perdem na nave dos Engenheiros, quando decidem voltar à Prometheus?Porque eles perderam contato com a Prometheus, depois da tempestade. Após Fifield ter acionado as esferas que mapeavam o lugar em um mapa holográfico, apenas a nave tinha acesso a essa informação. # Isto foi podre. Eles mantém contato com a nave durante a tempestade e o geólogo tem aquela tecnologia toda de mapeamento- Por que Millburn tenta tocar no alien que nasce da minhoca em contato com o líquido negro?Talvez porque, sendo biólogo, ou seja, tendo domínio e conhecimento sobre diversas espécies, ele pensou que conseguiria domar o alienígena. Na verdade, se reparar bem, ele trata o bicho como se fosse uma cobra, tentando domá-la pelo olhar para então sabotá-la e tomá-la em mãos.# E o “eu sou biólogo” faz isso com uma criatura que ele não conhece. Tá bom.- Por que o alien que veio da Shaw parece um molusco, quando em Alien não se tem nada parecido?#Porque é o primeiro, antes de fecundar um hospedeiro com uma rainha.- Por que aparecem hologramas dos Engenheiros fugindo?Talvez este holograma seja como uma gravação das câmeras de segurança que temos hoje. Ele foi acionado pelo David, e aí começou a ser rodado o que havia acontecido nos últimos instantes após a ocorrência que impediu que os Engenheiros erguessem vôo rumo à Terra.# Eles estavam brincando, só pode. Ficou sem sentido isto.
    - “Como que a Shaw, depois da cirurgia, ainda consegue fazer tudo o que faz? Porque ela é a heroína e porque o filme também é de ação.”# Eu ri com esta resposta. hehehehehe!
    - “Por que o capitão resolve se jogar contra a nave alienígena?Em uma conversa com a Shaw, ele comenta que ele estava naquela missão justamente para não deixar as coisas saírem dos trilhos. “# O ser humano é assim mesmo altruísta, mesmo com a possibilidade de se salvar e acreditando nas interpretações humanas sobre a vontade de uma espécie alienígena. Tsc, tsc…

  • Romanbruni

     super legal Lidia !  gostaria de complementar com o link
    http://soundworkscollection.com/prometheus
    sobre o estudo e a criação do som no filme.

    • http://www.facebook.com/profile.php?id=100000015169550 Lidia Zuin

      Oi, Roman! Obrigada pelo link. Uma coisa que eu achei legal na trilha sonora do Prometheus é que eles retomam a música tema de Alien – principalmente notável quando o David toca aquela “flauta” no comando central da nave alienígena. Isso foi bem legal!

  • P.H. Jornalista

    Só a imaturidade e inocência mesmo, ainda mais de visitar o perfil da autora da resenha. 

  • LuizSchenk

    Excelente artigo, nem dá pra chamar de crítica de tão completo, Lidia. Me fez entender e observar muitas coisas que não passaram na minha cabeça durante o filme. Fica o pedido e sugestão de você fazer um especial desses para os 4 Aliens e até mesmo Alien X Predador.

    Parabéns!

    • http://www.facebook.com/profile.php?id=100000015169550 Lidia Zuin

      Que bom que gostou, Luiz! A sugestão é bem desafiadora, mas seria legal mesmo ler algo do tipo :)

    • Carla

      AVP 1 e 2 são duas coisas desprezíveis. Filme para adolescentes acéfalos. 

  • Lesma

    Cara, texto longo… de qualquer forma me deixou um pouco triste porque explicou o filme e na minha opiniãozinha de lesma certas coisas devem ficar no ar para que as pessoas possam imaginar o que diabos aquilo quis dizer. Também acho um pouco ruim que ao falar de um filme tenhamos que achar bases em outras obras.Acredito que a base para um filme deveria ser ele mesmo ou no máximo as histórias de outros filmes do mesmo universo. Mas ok, pode ser que, como fã do universo eu esteja só sendo um chato de galoxas. Provavelmente é isso. 

    De qualquer forma ficam aqui minhas impressões sobre o filme, que divergem do texto:

    O único filme que tem uma ligação realmente importante como Prometheus é Alien: O oitavo Passageiro. Os outros não se aprofundam muito no personagem do Space Jockei/Engenheiro, que é o personagem mais importante deste filme.

    Sobre a cena da cobrinha com cara de vagina e o erotismo do Giger passando desapercebido nos outros filmes eu não concordo. Em todos os estágios de vida do mostro Alien Clássico (digamos assim) ele tem uma simbologia sexual muito grande. Quando nasce ele é praticamente uma piroquinha com dentes e adulto o monstro continua com sua cabeça fálica e tubos roliços saindo de todo o corpo cuja textura lembra um corpo cavernoso. 
    A violência da cena citada também tem paralelo muito forte com cena do face-hugger, a vagina com dedos do filme Alien: O Oitavo Passageiro. Isso porque ali também se trata de um simbolismo forte para um sexo oral forçado, com a cabeça da vítima sendo segurada com as duas mãos e a boca recebendo aquele tubinho. E nem vamos falar da tristeza de descobrir que está “gravido” de um estupro e ter um bebê indesejado. Se bem que a alegoria do bebê indesejado se repete em Prometheus quando a sr. Shaw “aborta” o seu k’tulinho. Seria o autor expressando sua opinião em relação ao aborto?

    Outra coisa bacana também, embora ninguém tenha discordado ou falado disso até então. é que se os Engenheiros são “o Criador” (Deus), e se os aliens desse filme, como a cobra-vagina (vanaja? piada infame…) tem características dos 2 sexos como anjos, Não estaria deus enviando seus anjos para o armagedom na terra? Só estou especulando de leve…

    Na parte da metafisica do filme foi escrito uma introdução muito interessante que leva a uma descrição quase sumária do que aconteceu no filme. Sério, aquele lance do Carl Sagan é legal mas levou a quê? Dizer que a Shaw acredita em deus mas ainda assim queria encontrar os Engenheiros em sua busca pelo conhecimento e isso levou o velho Wayland a virar um cara esperançoso perto da morte e querer pedir cara a cara para o criador/deus que lhe desse vida eterna enquanto Vickers ficava sempre alerta, tentando garantir a segurança e o borg ficava fazendo pilhéria com todo mundo? Aliás a atitude do velho Wayland reforça de maneira muito sutil uma das coisas mais básicas dos filmes do Alien: a luta pela vida.

    Sobre o porque da carapaça do engenheiro não ficar no cockpit quando ele vai atrás da Shaw, é porque a carapaça é uma “armadura-pessoal”, aquela cabeça de elefante é um capacete que envolve o Engenheiro saindo de trás de sua roupa. Isso é mostrado quando aquele “holograma de segurança” mostra que um deles tentou entrar na sala e foi decapitado.

    Fato: “… a nave foi impedida de levantar vôo em “Prometheus”, que se passa antes de “Alien”, portanto não teria como ela ter voado para lá depois.” Apontamento: Nada impede que outros planetas do setor LV tenham enviado o sinal do filme Alien o Oitavo passageiro, incluindo o planeta onde supostamente a Shaw foi com a nave que ela tomou no final do filme. “O fato é que muitas dessas dúvidas deixadas em aberto poderão ser respondidas na seqüência que Ridley prevê para “Prometheus”.” Pois é.

    Em relação a criatura “…Este não é o mesmo que aparece nos outros Alien, já que seus dentes não são transparentes e os caninos não são proeminentes, sua cabeça difere no formato e sua língua não é composta por uma “nova criatura”” Bem, algumas coisas a se pensar: Todos os Aliens dos outros filmes do nosso querido alienígena cabeçudo são diferentes entre si. Tem os zangões de Aliens o Resgate, tem o Alien Dog de Alien 3 e até o com cranio com orbitas vazias de O Oitavo Passageiro. Então onde está a falta de lógica de um alien nascido em um “Superhomem” nascer diferente? E ele tinha uma segunda dentição sim, conforme mostrado no filme quando ele dá aquela bocejada característica. Já o fato de ter nascido adulto, nas histórias do universo expandido de Alien diz-se que caso o bicho não seja incomodado em seu periodo de larva (piróquinha) ele se mantém dentro do hospedeiro até crescer, comendo e ficando quentinho ali. Por outro lado todas as criaturas do filme Prometheus matem alguns aspectos fisiológicos em comum entre si, como textura e sangue ácido. Características que são compartilhadas com os Aliens dos outros filmes.  

    Achei legal a citação de Vilém Flusser. Bem melhor que a de Carl Sagan.

    Agora, sobre as possiveis falhas de roteiro, minha opinião diverge do texto em alguns pontos:

    -Por que a Weyland contrataria um geólogo como o Fifield e um biólogo como o Millbourn?
    Talvez porque eles estavam indo para um ambiente alienígena com algum terreno/solo desconhecido e uma biologia estranha? Afinal era a primeira vez que alguém chegava naquele local não?

    Por que o alien que veio da Shaw parece um molusco, quando em Alien não se tem nada parecido?
    Puts! Adorei a explicaçã dada no texto! Realmente é a cara do Ktulo! Mas também acho que pode ser que o Androide tenha tido acesso a pesquisa dos Engenheiros e tivesse dado continuidade no projeto da arma biológica, pois entende-se que a nave é uma instalação militar ou algo o tipo. 

    Por que a tripulação tirou o capacete, se ainda poderia ocorrer risco de contaminação?
    Os testes diziam que o ar era mais limpo que o da terra e o androide confirmou que a sala estava limpíssima. Capacete pra quê? Não era como O Oitavo Passageiro, onde a atmosfera exterior parecia ter invadido a nave. 

    Como que a Shaw, depois da cirurgia, ainda consegue fazer tudo o que faz?
    Para dizer que isso não seria possível, teriamos de dizer que a máquina que operou ela não seria capaz de cauterizar e fechar o ferimento. lém disso a roupa espacial que eles usavam se ajustava bem apertado ao corpo. Esse design já é estudado hoje em dia para uma possivel viagem a Marte. Ele torna a roupa mais resistente e por ser muito apertada no corpo, mantem os orgãos no lugar no caso de um acidente ou coisa do tipo. E claro, não devemos esquecer o milagre que altas doses de adrealina fazem no corpo. 

    Ok, agora a parte que eu mais gostei deste post: “Referências culturais ao longo do filme” foi muito bacana. Deveria ter sido um post a parte. 

    Enfim, apesar de alguns pontos legais, ao contar todo o filme (sem nem avisar que tinha spoilers) e se prolongar tanto para explicar partes relativamente simples o texto se tornou meio massante. Parece uma dissertação acadêmica. 

    • http://www.facebook.com/profile.php?id=100000015169550 Lidia Zuin

      Nossa, muito obrigada pelas contribuições, Lesma. Algumas coisas que você colocou realmente não tinham passado pela minha cabeça e mesmo as divergências foram muito interessantes de se ler. A menção ao Carl Sagan é porque eu fui apresentada a esse livro por um professor de filosofia que estudava muito a complexidade de Morin, por isso ele tinha um discurso em que pretendia mostrar que a ciência não é totalizante, que o irracional também deve fazer parte da busca pelo conhecimento, em conjunto com o parecer científico. E o Sagan é uma das figuras emblemáticas do movimento ateísta, então pensei que pudesse levar à essa relação.

      Quanto ao formato ter se tornado massante, realmente, eu me prolonguei bastante, porque tinha lido várias coisas em vários lugares e fiquei empolgada pra reunir tudo de uma vez só. E o “academês” é outro problema meu, já que eu tenho escrito mais textos acadêmicos que jornalísticos ultimamente. :) Mas, enfim, novamente, agradeço pelas considerações.

  • Di Benedetto

    Demorei,
    mas enfim consegui ler.

     

    Lídia
    essa é uma excelente leitura do filme. Discordo de diversas justificativas
    que você apontou para algumas incoerências.  (Mas pode ter certeza
    que se eu fosse discutir esse assunto aqui, não o faria com trollagem ou
    agressividade infantil. =/  )

     

    Acho
    que algumas incoêrencias existem sim, mas apesar de eu ter feito piadas até
    cansar sobre a “burreza” dos cientistas, não é isso que me desapontou. 

     

    Aliás vou até ficar do seu lado e dizer que a recuperação da Shaw não
    tem nada de incoerente ou espantoso. Não é só porque ela é uma heroína de filme
    de ação, mas porque é claramente mostrado a doutora se injetando com drogas no
    filme. Isso justifica ela passar pelo trauma físico sem entrar em colapso.

     

    Não há erro ali!

     

    O que eu acho que se confunde um pouco no seu artigo é justamente a
    leitura de elementos no filme ( e subtextos presentes na história) com uma
    outra coisa, que está em paralelo, que é discutir a qualidade da obra.

     

    São coisas diferentes. Não questiono sua leitura, mas quanto a qualidade
    da obra coloquei o meu pitaco azedo aqui:  http://almanacaria.com.br/cinema/prometheus-um-preludio-spoilers/

  • Di Benedetto

    Comentário saiu com espaçamento bizarro. Mas não foi culpa minha. (Acho.)

  • http://www.facebook.com/jorge.f.trindade Jorge Trindade

    A melhor analise que li sobre Promethes, dissecando o filme de uma forma que traz uma opinião embasada e com muitas referências legais, referencias que obviamente fazem parte de toda obra sendo, cinema, literatura, quadrinhos, etc..

    Qualquer área usa referencias e muitas fazem parte da trajetória do autor neste caso Ridley Scott, a alusão a Lawrence da Arabia foi magnifica.

    E se como primeiro filme não responde a todas as questões e tem falhas de roteiro(Qual filme não tem?), mas mesmo assim consegue prender o publico e criar uma tensão que a tempos não se via em um filme, acho que já estamos no lucro, afinal ate onde sei cresci com uma frase”Cinema é a maior diversão” e filmes como Vingadores(Terceira maior bilheteria de todos os tempos/ com direito a falhas de roteiro), Prometheus os vindouros Espetacular Homem-Aranha e Batman TDKR dentro de suas particularidades estão conseguindo devolver o prazer de se ir ao cinema e discutir um filme como já não via a tempos.Parabéns a Lidia Zuin pelo texto, e em nenhum momento achei o memsmo massante!

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=1502963451 Francisco Boni Neto

    Como fã viciado no universo de fantasia e ficção Alien (que engloba dos filmes até quadrinhos e games), não vi melhor análise/review sobre Prometheus do que essa. E olha que já vi várias pelas interwebs. Como amigo, só passo a admirar ainda mais a sua inteligência e o seu trabalho. Parabéns Zuin :D

  • Paulo Fernandes

    É… um filmezinho filosoficamente ridículo. Toda metafísica tem sua origem na psicologia. Essa vã necessidade de descobrir o porquê de Deus nos ter criado  é puramente infantil; uma pessoa de vida vazia, desmotivada é que procura tal designação simplista do nosso viver.
    Dizer que esse filme “nos faz pensar” é forçar a barra.

    • Bruno Accioly

      Sinto muito, mas o estudo do deus cosmogônico e de sua possível (ainda que improvável) existência é uma proposição Filosófica séria e que se reflete de forma magistral no filme.

      O filme, contudo, não tenta descobrir ou propor um porquê para a criação, uma vez que alguém teria de ter criado aquela raça (tenha ou não sua criação sido de responsabilidade de uma entidade ou do próprio universo).

      Afirmar que o filme faz pensar faz sentido, sobretudo porque qualquer produção de subjetividade nos faz pensar. Podemos pensar para além das intenções do diretor afinal. Subtextos intencionais ou não podem ser identificados e propostos e, com isso, já está sendo feita a reflexão.

      Forçar-se a não pensar depois de ver este filme, ou simplesmente não conseguí-lo, é sempre uma opção, quando não se trata de uma condição do indivíduo.

  • Janio

    Realmente, seu post é belíssimo. Me esclareceu muita coisa. Porém, não posso deixar de me entristecer por uma coisa muito importante: um filme deve ser autossuficiente. Se eu tiver de ficar lendo postagens pra entender é o mesmo que explicar a piada pra quem não riu.

    • Bruno Accioly

      2001 também não é um filme nada fácil.

      Fosse ele um filme auto-contido e prosaico Woody Allen não o teria visto oito vezes antes de dar o veredicto de que era um filme sensacional.

      Discordo da sua avaliação. Textos elaborados como este engrandecem o filme, seja identificando intencionalidades ou propondo novos subtextos.

  • Voadorman

    Por que o alien que veio da Shaw parece um molusco, quando em Alien não se tem nada parecido?

    Aquele ser não era o alien conhecido, era uma mutação que foi gerada por varias circunstancias expecificas (gosma preta + fecundação posteiror), e no final temos sim um alienigena novo(Craken).

    No filme não fica claro oque é exatamente a gosma preta, porem o que se pode perceber é que ela é um modificador de DNA, como na primeira cena no filme.

    Assim podemos concluir que não da pra seber que tipo de vida vai ser gerada ou modificada por essa gosma, porem ela vai ser totalmente nova, talvez por isso os engenheiros jogariam ela na terra, pois evoluimos ao mesmo patamar deles, criador vs criação.

    • Bruno Accioly

      O que me parece é que aquela raça coloniza biosferas a partir do próprio sacrifício, expondo um dos seus membros a um dos inúmeros parasitas que projeta.

      Entendo que não haja parentesco entre a raça de “Alien” e “Aliens” com a raça-molusco de “Prometheus” e que os “criadores” criam um sem número destas raças-armas para colonizar e re-colonizar biosferas segundo o princípio da diversidade.

      Concordo com sua avaliação portanto, que descreve no último parágrafo, mas não vejo necessidade de semelhança entre o alien de Shaw e o de “Alien”.

  • Digo Freitas

    Parabéns pelo ótimo texto!

  • http://www.inspirartz.com.br/ Facundo

    Vou tentar escrever no melhor português possível, a pesar do não ser o meu idioma nativo, peço desculpas antecipadas por algum erro de gramática ocasional.
    Bom, não sei como podem ter influenciado os escritos de Däniken ao H.P. Lovecraft, quando este último morreu antes de Däniquen ter aprendido a ler. (Lovecraft morreu em 1937 e Däniken nasceu em 1935) mas todo bem, entendi o que quis dizer.
    E sim dúvidas o molusco e bem lovecrafiano mesmo, a atmósfera claustrofóbica e gosmenta junto com o design de Giger, e a ideia dos antigos criadores não tem como não lembrar ao Lovecraft.
    No caso do filme Lawrence de Arábia é também significativa a cena do filme que é mostrada (Lawrence apagando o fogo de um fósforo com os dedos) como diz o propio Weyland “o fogo que Prometeu roubo dos Deuses, nosso primeiro verdadeiro avanço tecnológico”. E bom conferir este vídeo do discurso de um jovem Weyland apresentando sua invenção, cena que infelizmente não aparece no filme: https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=Kqf1nbtEq9Q#!
    Pelo resto gostei muito da sua crítica .Abraços!

    • http://www.facebook.com/profile.php?id=100000015169550 Lidia Zuin

      Facundo, obrigada pelo comentário! Quando eu disse que o que Däniken escreveu também influenciou Lovecraft quis dizer o assunto abordado e não a obra do Däniken! Ficou confuso mesmo, mas era isso que eu queria expressar.

  • Questaox

    esse filme é muito meia boca mas muito melhor que a maioria dos filme scfi que tem saido,mesmo assim decepcionante em varios aspectos,mediano e sem nada de especial,tem centenas de milhares de furos que só fanboy curte discutir,desligue seu cerebro e veja o filme que vai ser legalzinho

  • Deivid Santos

    Muito boa observação, as teorias da Criação da humanidade por seres vindos do Espaço, aprofundando a pesquisa sobre o filme Alien, onde aparece um engenheiro morto no 1º filme, suponho que na Teoria ” Esses Engenheiros (Space Jockeys), supostamente representam Deus e os Anjos, criaram o Homem, mas pra que?… Esses Engenheiros tem um Inimigo (assim com Deus x Diabo)… mas quem é esse inimigo… Talvez os Reptilianos (Predador x Alien), então criaram um monstro (Alien) para infectar o Planeta dos (Predadores), e nós humanos estamos no meio dessa guerra, talvez até fomos criados como cobaias? Talvez esses Engenheiros quisessem nos livrar do inimigo (Predador/Reptiliano/Diabo)… enfim a sequencia do Filme tratará de responder todas as dúvidas… PS: quem não esta familiarizado com os temas Bem x Mal (Deus x Diabo)… Raças alienígenas x Raças alienígenas, terá grande dificuldades de entender as mensagens subliminares que o filme mostra. quem se interessa pelo assunto, Pesquise sobre a raça alienígena ANUNNAKI, deixo aqui meu e-mail para quem quiser discutir mais sobre o tema… deivid.santos25@hotmail.com

  • Ruan

    Essa é uma análise muito boa, rebuscando toda a origem e influencias que produziram esse filme de nivel bom, embora o filme nao explique tudo que deveria, qualquer duvida imaginável foi resolvida ou pelo menos discutida aqui, prato cheio pra amantes de cinema, da tetralogia alen e curiosos natos, fiquei impressionado com teu trabalho e currículo! Vou tirar um tempo pra dar uma lida na monografia. Que venham outras analises como essa, bom trabalho!

  • http://www.facebook.com/luis.fajardo.54390 Luís Fajardo

    Excelente texto, Lidia!!! Como tu mesma disse, tuas palavras não são a verdade absoluta sobre esta obra, na qual tenho certeza que o velho Ridley Scott gostaria que fosse absorvida assim!! Como referência, também vi forte semelhança com a saga Sandman, de Neil Gaiman (Quadrinhos, DC/Vertigo) com o uso de fortes frases de variadas culturas, no caso do filme: as falas de Lawrence da Arábia, e a máscara das criaturas que são idênticas à do Deus do Sonhar!!!

  • Mario

    Gostei da resenha Lídia. Pelo que comentaram percebi que fez
    muita gente pensar, mas esse tema é antigo, o homem tem quebrado a cabeça por
    milênios pensando em sua origem sem nunca chegar a um denominador comum (Deus –
    Krischna – Zeus – Hórus – são ideias simplistas). A ideia da navalha de Occam é
    que detona qualquer história. Depois de uma aula de física quântica e teoria
    das cordas a gente passa a considerar muitas coisas, coisas que me passavam
    pela cabeça quando assisti ao filme, muito estava lá. Não sei como vou explicar
    o que eu sei, mas não é difícil qualquer um procurar saber, um arqueólogo
    amador se deparou com uma pegada de sandália em 1968, segundo os testes de
    carbono 14 ela tinha 400 milhões de anos, pior, para por maior veracidade ao
    negócio o cara da sandália ainda esmagou um trilobita – um bichinho que
    desapareceu há 200 milhões de anos – só para cético algum colocar defeito. Um
    nutricionista disse certa vez que a banana possui 60% dos genes humanos, para
    que um alimento seja palatável aos humanos a comida deve ter o maior número de
    semelhanças com a nossa espécie, como a carne de porco que nos primórdios do
    transplante de órgãos foi o principal material de pesquisa, logo o canibalismo
    simbólico do cristianismo não de todo terrível. Em seus livros sobre ficção,
    Arthur C. Clarke descreve como espaçonaves transportavam cargas de asteroides de
    gelo para “terraformar” planetas inóspitos, segundo cientistas a Terra recebeu
    mais de 80% de sua massa de água pela queda de meteoros. Já que não há nenhuma
    outra espécie competindo com o homem pelos recursos deste planeta, não seria
    justo pensar que ele foi criado por homens para manter suas famílias advindas
    dos confins do espaço?! Esquecendo a religião, mas uma arca contendo algumas
    espécies chaves de animais não é tão má ideia, e se for uma espaçonave
    cargueira é ainda mais aceitável. E se fosse o homem o criador do macaco e não
    o contrário. Um filme que gostei
    bastante foi “Outlander”, do qual a Terra é apenas uma colônia esquecida pela
    metrópole. Não gosto da ideia do alemão de deuses astronautas, entretanto uma
    coisa eu sei, que o crânio de humanos mais antigos eram até 10% maiores que o
    crânio de pessoas atuais, que o Sol da Terra faz mais mal que bem aos seres
    deste planeta, gerando deformidades na cópia dos genes, produzindo anomalias
    terríveis nas espécies incluindo a humana. Outro ponto, apesar de toda a
    deformidade que nossa espécie vem apresentando, não há variação genética para
    que seja considerada uma variação racial, europeus – africanos – asiáticos, ou
    seja, todo mundo é igual e não há deriva genética que nos separe. Se somos uma
    só espécie isso coloca em xeque a evolução darwiniana. Último: tudo que é
    contrário à teoria da evolução – achados geológicos – os museus escondem em
    seus depósitos, não fica acessível ao público.

  • http://www.facebook.com/carlos.werberich Carlos Werberich

    Ótima análise e excelente ponto levantado esse de que arte deve ser aberta a interpretações.

  • Ricardo de Aquino Borges

    Nunca me canso de reler esse post, já até salvei no meu pc pra não ter o risco de perdê-lo.

« »

Scroll to top