omaha

Seja o voyeur de Omaha, a gatinha stripper

em março 28 | em HQs | por | com 1 Comment

Buscando uma nova maneira de lidar com o sexo e o amor, o desenhista Reed Walker e a roteirista Kate Worley encontraram no mundo animal um meio para expressar suas idéias. São gatinhas, cachorrinhas, coelhinhas, galinhas… todas lindas, deslumbrantes, voluptuosas e cheia de desejos… pela vida! Uma licantropia hippie, em que as mulheres pensam, sentem e argumentam, onde o sexo é visto (como eu acho que deveria ser) de um jeito natural. O leitor fica como um voyeur:  você acompanha os medos, frustrações, raivas e esperanças dos personagens, enquanto eles se despem e transam (bem!) e vivem.

A história da dançarina Omaha – que ganha a vida como stripper numa cidade corrompida – é um dos grandes clássicos dos quadrinhos adultos. Criada em meio à efervescência da cena underground da década de 70, a série causou grande polêmica, mas logo conquistou o respeito e a admiração de público e crítica por sua representação madura da sexualidade, que revolucionou a forma de abordar o sexo nos quadrinhos.

Omaha não chocaria tanto hoje em dia, em que as mulheres já são educadas para serem independentes e darem conta dos percalços da vida. Mas, como toda fêmea que é controlada por hormônios, presenciamos as inseguranças da gatinha, suas novas amizades e as enrascadas em que ela termina se metendo (e saindo). Não espere putaria pura comendo solta, mas sim pentelhos, miados, personagens bem desenhados (as escolhas dos animais terminam fazendo sentindo, porcos como gerentes de casas noturnas, raposas como agenciadores espertinhos e galinhas como aquela sua amiga falsa que finge ser liberal para transar com você e seu namorado), baseados, festinhas, muito diálogo viajante e moral libertária.

Quando criaram “Omaha – A Stripper”, em 1986, Reed Waller e Kate Worley eram casados. A ideia da personagem partiu de Waller, quadrinhista americano, que primeiramente escreveu e desenhou a primeira história de Omaha e depois passou a desenhar as histórias que Kate criava para sua personagem.  Os dois se divorciaram e se recusaram a trabalhar juntos por alguns anos, período em que Omaha deixou de ser publicado. Nesta pausa, Kate lançou a revista Tekno Comix. Em 2002, fizeram as pazes e voltaram a criar histórias da personagem, porém não achei para venda nas terras tupiniquins.

Uma edição especial saiu pela Editora Conrad (coleção Eros) e é facilmente encontrada para venda na internet. Toda a ternura, intimidade, humor e peculiaridade das relações íntimas das pessoas estão em Omaha. Uma história profunda, inteligente e sensível desde o início.

“Omaha é uma novela, mas com drama, e não melodrama; é um quadrinho com animais, mas os animais são pessoas de verdade; e não se trata de erotismo ou pornografia – é apenas uma história em que as câmeras virtuais continuam gravando quando as pessoas tiram a roupa e fazem amor (assim como acontece no mundo que eu e você vivemos)”- Neil Gaiman

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  • Alessio Esteves

    Eu AMO essa HQ, pena que não saiu o resto por aqui…

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