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Revista Prego: Entre o quadrinho udigrudi e a arte marginal (Entrevista)

em maio 10 | em Arte, Entrevistas, HQs | por | com 2 Comments

As publicações independentes estão ficando cada vez mais profissionais e com uma qualidade invejável pela produção tradicional. Dentre as mais ousadas, destaca-se a revista “Prego”. Sua mistura de arte experimental, quadrinhos udigrudi (undeground tupiniquim) e conteúdo subversivo é uma verdadeira bomba para quem busca pensar fora da caixa.
Inicialmente, a revista soava como os primeiros passos de um grupo de artistas plásticos tateando no escuro em busca de uma forma de expressar suas opiniões. No entanto, a quinta edição apresentou não só uma maturidade editorial e artística, mas também revelou o talento de Alex Vieira como editor. Aproveitamos o QuantaCon para bater um papo cabeça com o figura, que você confere a seguir:
Contraversão – Como começou o projeto da Prego?
Alex Vieira – A Prego nº1 foi lançada em 2007. Desde 2000 que toco em bandas e estou envolvido com distribuição independente, porém meu foco era a música. Queria criar uma mídia impressa para divulgar as artes de uma galera que eu já sabia que tinha trabalhos legais e não publicavam em quase nada fora do punk, como o Guido Imbroisi, Mário de Alencar, Chico Félix e obviamente também queria ver meu trabalho nesse meio. A Revista número 1 esgotou bem rápido. Daí pra frente coloquei um objetivo de lançar pelo menos uma publicação por ano e tem seguido assim.
CO – O que um artista precisa para ter seu trabalho publicado na revista?
AV – Acho legal o cara que quer publicar na revista mandar um trabalho partindo do zero, pensado para a revista. Na maior parte dos casos eu mesmo entro em contato com os artistas que quero publicar, mas tem muita coisa boa que conheço a partir da convocatória que faço no blog. Mas a pegada da Prego é a sujeira, um lance mais transgressor, não precisa ser humor mas precisa ser feio, suspeito, esquisito ou que chame atenção por alguma peculiaridade e que preserve seu traço/linguagem autoral.
CO – Qual é a sua opinião sobre o crescente mercado de publicações de arte e quadrinhos independentes?
AV – Todos estão percebendo que não é preciso esperar por uma editora para publicar seu próprio trabalho. O nível das publicações tem aumentado muito, basta dar uma olhada nas banquinhas dos independentes durante os eventos.
CO – Existe algum artista brasileiro que você adoraria ver nas páginas da Prego, mas não sabe se ele toparia?
AV – Tem muitos que admiro que ainda não publicaram na Prego: Zimbres, Mutarelli, Marcatti, Rubem Grilo… Seria muito foda ver trabalhos desses caras feitos especialmente para a Prego. Mas a cada dia conheço gente nova que tenho vontade de publicar.
CO – Muitos artistas e quadrinhistas talentosos tem aparecido no Espírito Santo. Colocaram alguma coisa na água de vocês?
AV – Aqui tem muita gente que o resto do mundo ainda não conhece. A água daqui é amaldiçoada pelos resíduos das grandes indústrias e pelos dejetos da população. Ainda assim temos uma bela cidade. Isso pode ser um sinal.
CO – Quais são os planos para as próximas edições da Prego?
AV – No momento estou planejando a Prego nº6 que será a “Edição Drogada”: todos os quadrinhos/ilustrações seguirão a temática das Drogas. Depois teremos a Prego nº7 que será a “Edição Fudida”: tema sexo. Também pretendo fazer a Prego nº0, que será um registro arqueológico, tipo a revista no formato zine mais tosco possível. Ainda tenho muitas idéias não realizadas.
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