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Descubra pérolas do Tramavirtual antes que ele morra

em março 8 | em Música | por | com No Comments

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O site Tramavirtual, oriundo do tempo em que a busca por Mp3 ainda era como uma caça ao tesouro, chega ao fim no dia 31 de março. Cumpriu seu papel: deu espaço a bandas do underground, proporcionou música online quando isso ainda era sonho de muitos, fez projetos de remuneração de bandas por número de download… enfim, foi um ótimo site de música, que cometeu um grande pecado e acabou sendo aniquilado por ele: não se atualizou.

Estagnado, o Tramavirtual já não se atualizava há tempos, inclusive com o mesmo layout, a mesma ideia, o mesmo esquema de sempre. Um dos espaço virtuais pioneiros  de música brasileira, que hoje hospeda mais de 205 mil canções de 78.676 artistas, chega ao fim. Segundo João Marcello Bôscoli, presidente do Tramavirtual, em entrevista a’O Globo, “Quando criamos o site, há dez anos, não havia MySpace, Youtube, Twitter, iTunes ou Facebook. Naquele momento, modestamente, trouxemos uma proposta inovadora em alguns aspectos, sem copiar ninguém. Com o desenvolvimento desses serviços, creio termos cumprido nosso papel, hoje exercido por esses grandes parceiros”.

Antes de jogar terra em cima do caixão do Tramavirtual, nós do Contraversão vamos dar a vocês um pouco das pérolas que você (quase) só encontrava por lá. Bandas obscuras, sons primários, gravações toscas: tudo o que você só encontrava no site que permitia que qualquer um subisse suas canções para apreciação popular. Confira a lista de 5 nomes de alguns colaboradores do Contraversão e baixe essas bandas para que, no futuro, sua música continue a ser compartilhada:

João Pedro Ramos

Muzzarelas
http://tramavirtual.uol.com.br/artistas/muzzarelas

A melhor banda de punk rock que já conheci. Músicas sobre cerveja, zumbis, mutantes, cerveja, aliens, baratas e cerveja. Os shows sempre eram insanos, com guerra de cerveja, máscaras de luta livre, backing vocals feitos pelo público e covers inesperados. Outro destaque são as sempre incríveis ilustrações feitas pelo baixista Daniel Ete. Melhores discos, na minha opinião: “Jumentor”, “Lotus Rock AxDx” e “BeerGod”.

Os Wanderleys
http://tramavirtual.uol.com.br/artistas/os_wanderleys

Acho que “brega porn” é o melhor jeito de definir o som dos Wanderleys. Bregão com putaria e sample de filme de Monica Mattos. Não faço ideia de como ouvi essa banda, mas tive contato com o vocalista (vulto Wilson Wanderley). Era grande promessa na época… mas sumiram.

Violentures
http://tramavirtual.uol.com.br/artistas/violentures

Surf music bacana. No disco “Garage Boosters”, contaram com participação de João Gordo, Gabriel Thomaz e Érika Martins em belas músicas como “Black Widow” e a faixa que intitula o CD.

Maiseu Mimdoisema
http://tramavirtual.uol.com.br/artistas/doiseu_mimdoisema

Projeto maluco do gaúcho Diego Medina, que depois formou a banda Video Hits. O único registro é “Nunca Mais Vai Passar O Que Eu Quero Ver”, que tá completinho pra baixar aqui. O jeito que a fita foi gravada merece ser reproduzido aqui:

“Tinha o Diego e tinha o Mark, dois amigos do peito desde a época de colégio. Cada um tentava dar um presente de aniversário o mais inusitado possível pro outro a cada ano. E, em 1994, o Diego resolveu gravar uma demo caseira pra presentear seu amigo no final de abril.
Diego passou uma semana socado dentro do quarto munido de um gravadorzinho de 4 pistas fuleiro, uma guitarra Jennifer que não afinava nem a pau, um teclado Casiotone bem precário, um microfone sem marca e da boa vontade da irmã mais nova e do filho da empregada pra cantarolar junto com ele. Foi assim que a primeira demo da Doiseu veio ao mundo”.

Aliás, fun fact: Di (Dois) Ego (Eu) Me (Mim) Di (Dois) Ina (Em+a).

Zumbi do Mato
http://tramavirtual.uol.com.br/artistas/zumbi_do_mato

Descobri o Zumbi do Mato na revista Hemp Comics, que durou apenas um número e tinha uma história em quadrinhos com o Planet Hemp. O Z1bi é… indescritível. Música experimental, altamente bizarra, com um vocalista que não sabe nem de longe o que é afinação e uma banda em que cada um toca uma coisa em um tempo e tom diferente, tudo ao mesmo tempo. Tudo isso com letras como “Vai chupar cocô/ Pra ver disco voador / Hecatombe intestinal, Boi zebu é maioral!”

Gabi do Gato

Trincadones
http://tramavirtual.uol.com.br/trincadones

Depois da overdose, tem sempre outra linha.
Banda de Porto Alegre que só fala de cocaína e buceta, tinham (?) um som muito legal, um punk sujo e bem feito, a lá Replicantes.

Fratelli
http://tramavirtual.uol.com.br/frattelli

Banda de grind-crust que marcou época aqui em Natal (RN) em meados de 2000/2001. Tinham o clássico “Vortex in my mind” que se referia a uma bebida “local” dos jovens sem dinheiro: cachaça e refrigerante na garrafa de plástico, meio que “derretida” até ficar toda torta. Garantia de muito suor e amnésia alcoolica. Bons tempos.

Ameaça Subterrânea
http://tramavirtual.uol.com.br/ameaca_subterranea

Banda punk, também potiguar, que embalava festinhas na UFRN ao som de “Motoca laser, motoca cilindrada”.
Os temas iam de folclore nacional até o anarquismo e, claro, boas tiradas com a cara da sociedade burguesa babaca.
É um som para loucos. Estou avisando.

Gramofocas
http://tramavirtual.uol.com.br/artistas/gramofocas


Gramofocas, a essência do rock, de Brasília para o Brasil. Conheci essa banda aaaanos atrás e de cara me apaixonei pelo som, tinha tudo o que me encantava: músicas irônicas, que falavam de bebida, sexo, brigas, fumar maconha e até cover do Léo Jaime. Ainda bem que eles estão na ativa ainda (e cada ano que passa, mais gatos). Pra quem curte um rock com toques bubblegum, é prato cheio.

Tzero
http://tramavirtual.uol.com.br/artistas/tzero

Pra mim, hardcore, dos bons, pesados, com letras legais, lá de Indaiatuba (SP). A faixa “Ninguém presta” tá naquela filme nacional “O Invasor”. Não é uma banda pra ouvir em reunião familiares, vale salientar.

Raphael Fernandes

SkulkPartitionRoot
http://tramavirtual.uol.com.br/artistas/skulkpartitionroot

Lembro de ter sido chamado pra ver um show de uma banda de rock industrial numa balada pela porco do ABC. Fui na inocência, mas saí de lá amigo dos caras e fã de seu som cheio de agressividade, feito com guitarras, bateria, teclado e um 486 DX2.

Del-O-Max
http://tramavirtual.uol.com.br/artistas/del-o-max

Peguei 4 shows seguidos do Teenage Fanclub no SESC Pompéia, mas em um deles a banda de abertura fez um rock de garagem inesquecível que me fez comprar a demo deles na hora. Sem falar que foi a única banda que vi tocando com 2 baixos e fazendo algo inovador com isso. Vi o vinil deles pra vender dia desses lá na Tuca Discos, mas o som mudou e virou um hardcore sem inspiração.

The Droog Organization Project
http://tramavirtual.uol.com.br/artistas/the_droog_organization_project

Quando fiz História lá na USP, a coisa rara do mundo era encontrar alguém pra falar de rock alternativo e quadrinhos. Por sorte, fiz amizade com o Snorks da Geografia e pude conhecer seu sensacional projeto com forte inspiração em Laranja Mecânica e na cultura pop. Destaque para a música em homenagem ao Super Mario Bros!

Menz Insana
http://tramavirtual.uol.com.br/artistas/menz_insana

Foda-se, vou colocar mais uma banda do Snorks! Nunca vou esquecer o show sensacional que eles fizeram no saudoso Subjazz (Jukejoint), uma balada onde o garage rock brasileiro e o punk tinham espaço. Muita gente gritava no show “Toca Punk”, qual não foi a porra da minha surpresa, quando no final atenderam aos pedidos e tocaram a música de abertura do seriado “Punky, a Levada da Breca”. Sem falar que o baterista e o simpático Samuel (fã doente do Teenage)! O nome da banda vem de uma HQ da Vertigo!!!

Biônica
http://tramavirtual.uol.com.br/artistas/bionica

Mais uma que vivia tocando no Outs e no Subjazz! Fiquei sabendo da banda por conta do Fernando Ramone, que fazia Filosofia lá na USP, e também era figura carimbada nas fotonovelas da revista independente “Sociedade Radioativa”, que eu acompanhava religiosamente. Letras divertidas e bem sacadas, efeitos bizarros, um bando de mulher louca e a vocalista é ninguém menos que a mina que usava capacete de astronauta nas vinhetas da MTV.

ShinKoheO

Os Cabeloduro
http://tramavirtual.uol.com.br/artistas/cabeloduro

Banda punk true com letras toscas. Muita zuera e tiração de sarro, praticamente um RDP dos 90´s que pouca gente se lembra.

Pelebrói Não Sei!
http://tramavirtual.uol.com.br/artistas/pelebroi_nao_sei!

Bandeca de punk positivamente mórbido, com muita influência de Ramones, mas com letras bem líricas recheadas de ótimas sacadas. A banda já acabou, mas ainda é divertido ouvir e ainda rola um lance de que as histórias das músicas se cruzam.

Asterdon
http://tramavirtual.uol.com.br/artistas/asterdon

Representante do Stoner Rock brazuca não deve muito para bandas de destaque como MQN e Flaming Moe, o show é foda! Posso falar que é um Fu Manchu nacional.

Maria do Relento
http://tramavirtual.uol.com.br/artistas/maria_do_relento

Pop rock do sul com muito humor e ótimas sacadas sem ser babaca… ou não.

Smalls
http://tramavirtual.uol.com.br/artistas/smalls

Bandeca de emocore que só coloquei aqui pq sou cuzão e miguxo do vocalista! ;)

Pedro Couto

Carbona
http://tramavirtual.uol.com.br/artistas/carbona

Vi muitas vezes no extinto bar campineiro Ozz. Nos tempos áureos, o baterista tocava no estilo “Marky Ramone”, mas se levantava. A voz é boa de tão “única”.

PPA (Porcas, Parafusos e Arruelas)
http://tramavirtual.uol.com.br/artistas/ppa

O que dizer de uma banda intitulada “Porcas, Parafusos e Arruelas”? E a bateria é tocada por uma mulher pra melhorar.

Killi
http://tramavirtual.uol.com.br/killi

Banda com vocal feminino. Era mais limpinha que outras bandas que eu ouvia, mas tinha uma simpatia por eles.

Coice de Mula
http://tramavirtual.uol.com.br/artistas/Coice_de_Mula

Banda que era certeza de risadas. O guitarrista era um personagem a parte.

Serpentes do Inferno (minha ex-banda)
http://tramavirtual.uol.com.br/artistas/serpentes_do_inferno

Uma ode à esbórnia desenfreada. Lembro muito bem de um show que o guitarrista largou a guitarra para ir até o bar pegar uma cerveja (que depois seria jogada na cabeça do vocalista). Eu era o guitarrista.

Chico Félix

Flama
http://tramavirtual.uol.com.br/artistas/flama

Mistura de black flag e psicodelia pentagrâmica.

Infect
http://tramavirtual.uol.com.br/artistas/infect

Hardcore feminista sem firulas nem papas na lingua. Pintocore!

B.U.S.H.
http://tramavirtual.uol.com.br/artistas/b.u.s.h.

Aterrorizaram os caretas durante o mandato do presidente xará. BUSH-Buy us some heroin é o darby crash vivendo em São Paulo.

Os Ornitorrincos
http://tramavirtual.uol.com.br/artistas/ornitorrincos

Se o B.U.S.H. é o darby crash vivendo em SP, Os Ornitorrincos é darby crash vivendo no interior gaúcho, cantando em portunhol, tomando cachaça e comendo mandolate.

Os Estudantes
http://tramavirtual.uol.com.br/artistas/osestudantes

Circle Jerks de Copacabana.

Jabá:
http://tramavirtual.uol.com.br/artistas/morte_asceta

Morte Asceta, minha finada banda: dois discos e muitos acidentes de carro.

 

E quais são suas bandas favoritas que só estão lá no Tramavirtual?

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