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Planetes, anime mostra uma visão sustentável das viagens espaciais

Lançado em 2003, há quase uma década atrás, a animação japonesa “Planetes” é uma daquelas preciosidades que conseguem provar que ainda existe espaço para boas ideias e histórias. Sem falar que o anime consegue atingir o telespectador e motivá-lo a questionar o mundo a sua volta.

A origem do título vem do termo grego para “planeta”: Πλανήτης, que também pode ser lido como “errante”. Surgida como um mangá de Makoto Yukimura em janeiro de 1999, tornou-se um sucesso com a chega da adaptação para a TV em 26 episódios. As histórias em quadrinhos foram lançadas em inglês pela Tokyo Pop, mas não tem previsão de chegada ao Brasil.

Com uma premissa plausível e completamente alinhada com a mentalidade pró-ecológica e sustentável dos dias de hoje, a trama de Planetes é um tratado sobre a colonização espacial e seu impacto nas fundações de nossa civilização.

Em 2072, a corrida espacial alcançou seu ápice, culminando assim em um novo tipo de problema ecológico: o lixo atmosférico. A presença de dejetos na atmosfera criou um risco para viagens espaciais, obrigando autoridades a buscar meios – e mão de obra – capazes de eliminá-los.

Os 26 episódios da série contam a rotina e angústias dos tripulantes da estação espacial ISPV-7, em especial a equipe encarregada da remoção do lixo atmosférico, assim como seus relacionamentos, pontos de vistas e opiniões sobre a vida no espaço.

Além do forte apelo ao fator humano que a série apresenta, uma das coisas que me encantou em “Planetes” é a base do fundamento científico no roteiro, agregando um realismo à trama. Essa verossimilhança permite contar com detalhes as consequências da colonização humana no espaço.

Medicina, Engenharia, Arquitetura, Física e diversas outras ciências são abordadas na trama de forma prática e objetiva, sem longas dissertações ou informações que poderiam sobrecarregar a atenção do expectador.

Para os fãs de ficção científica, a série lembra em muitos aspectos as obras clássicas de escritores como Isaac Asimov ou Arthur C. Clarke, pois o argumento está carregado questões sócio-políticas.

Se os tempos provaram que as animações japonesas cada vez mais se aproximam das técnicas de computação gráfica, “Planetes” se mantém conservador nesse quesito. Amantes do traço ficarão maravilhados ao ver a quantidade de naves, uniformes e objetos que foram desenhados com as técnicas mais tradicionais de animação.

A sequência de abertura é uma verdadeira homenagem ao fascínio do homem pelo espaço ao longo das décadas, recriando em desenho veículos famosos, cientistas influentes e eventos que marcaram a astronáutica, como as decolagens da Challenger e Endeavour.

Planetes é ideal para os curiosos que buscam um roteiro mais “maduro” dentro das animações japonesas, ou que buscam se distanciar dos tradicionais robôs gigantes, batalhas espaciais ou tramas cyberpunks cinzentas.