pietro aretino

Pietro Aretino: Erotismo é como vinho, quanto mais velho melhor

em setembro 12 | em Literatura | por | com 1 Comment

mona

Fazer erotismo hoje é complicado. Vivemos uma época em que qualquer tipo de pornografia é de fácil acesso para qualquer um que utilize a internet. Por conta dessa facilidade, a arte do erotismo acaba ficando de lado pela grande massa. Azar o deles, mal sabem que o melhor da produção erótica mundial foi feito em tempos de proibições e falso moralismo.

Sempre tive certa fixação pela literatura erótica clássica e posso dizer sem medo que “Sonetos Luxuriosos” (Companhia das Letras) de Pietro Aretino é obrigatório. Cada um dos 26 poemas desse livreto mostra uma curiosa disputa sexual entre homem e mulher, que acabam por se confundir em meio a versos impecavelmente bem construídos (e traduzidos).

Aretino foi um escritor maldito do século XVI que teve papel importante na literatura italiana do período. Para ter uma noção da força literária do autor, imagine que nobres e ricaços de seu tempo pagavam uma mesada para que ele não escrevesse nada desagradável sobre eles. Graças ao poder de sua pena, o autor pode gozar de uma vida boêmia cheia de extravagâncias. Só pra você ter uma ideia, todas os empregados de sua casa eram prostitutas e ficaram conhecidas como aretinas.

A qualidade da obra é inegável e sua influência atingiu autores do calibre de Sade, Musset, Rabelais e Molière, conforme relatou Apollinaire. Quem conhece um pouquinho da obra do Marquês de Sade vai perceber uma estranha semelhança entre seus primeiros trabalhos e o erotismo de Aretino.

 

pietro aretino

Para provar isso, dá uma olhada nesse verso em italiano (te vira pra traduzir):

“Che se tutta foss’io potta e tu cazzo,

Io sfamerei a um trato la mia potta,

E tu trarresti anco dalla potta

Tutto il piacer che ne può trarre um cazzo.”

O livro faz parte do selo Má Companhia, utilizado para publicar o lado mais subversivo da literatura. “Sonetos Luxuriosos” recebeu todo o tratamento editorial e gráfico com a inegável qualidade da Companhia das Letras. Incluindo, excelentes textos introdutórios apresentando a vida do autor e uma breve crítica literária, escritos pelo tradutor José Paulo Paes.

Altamente recomendado para pornógrafos sem nenhum apego moralista, o livreto coloca o prazer em primeiro lugar e tira o valor do amor para o ato sexual. Vale lembrar que Aretino era um libertino que trabalhava diretamente para os papas e até serviu a igreja como Cardeal por certo tempo.

Se você devorou ofegante toda a literatura erótica e estava em busca de mais… “Sonetos Eróticos” pode ser sua nova fonte de inspiração!

Ilustração – Camaleão

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