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Neuromancer: a ciência prepara o futuro e a ficção científica mostra primeiro

em janeiro 30 | em Literatura | por | com 2 Comments

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A maior parte da produção cinematográfica com inspiração cyberpunk não passa de um cópia pausterizada. Não que elas não fossem boas, mas, depois de ler “Neuromancer”, tive a sensação de que a maior parte delas chupou alguma coisa do livro.

William Gibson é um dos principais nomes da literatura cyberpunk e sua maior obra é o thriller noir/sci-fi “Neuromancer” (Editora Aleph), que tem uma narrativa truncada e muitas vezes hermética. A sensação ao terminar de ler o livro é que o autor tinha tantas ideias inovadoras que encontrou dificuldades para expressá-las.

Case, um ex-cowboy (ou hacker), é contratado para ajudar a samurai urbana Molly em uma missão suicida: libertar uma misteriosa e poderosa inteligência artificial. O problema é que o cérebro de Case foi danificado e não pode mais acessar a Matrix (a internet), sem falar que ele está atolado em dívidas resultantes de um consumo suicida de drogas. No entanto, o pagamento oferecido para o trabalho é restaurar seu cérebro e sua vida, mas como todo pacto com o demônio… isso tem seu preço.

Em meio a tudo isso, vemos implantes cibernéticos, acesso neural a internet, firewalls (chamados de Ice), drogas sintéticas e sexo casual. Atualmente, essas coisas fazem parte da nossa vida, mas estamos falando de um livro escrito em 1983!!!

E daí que o cara é visionário? Calma, Neuromancer não foi eleito, a toa, um dos livros 100 livros mais importantes da língua inglesa pela revista Time. Apesar da leitura complicada em alguns momentos, principalmente no começo, Gibson tem uma história fantástica para contar e que teve muitos de seus elementos canibalizados pela cinessérie “Matrix” dos Irmãos Wachowski e por boa parte dos animes e mangás cyberpunks, como o clássico “Ghost in the Shell”. Depois de ler, você terá a impressão de que todas essas produções foram tentativas de dar continuidade ao universo criado em “Neuromancer”.

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Claro que nem tudo foi criador apenas por William Gibson, afinal, os autores do movimento cyberpunk trocavam muita correspondência e liam os trabalhos uns dos outros antes de serem publicados. Por tanto, vemos muitas contribuições de nomes como Bruce Sterling e Pat Cadigan.

Não posso deixar de mencionar a qualidade inegável da tradução feita pelo talentoso Fábio Fernandes. O cara é um dos poucos tradutores capazes de verter para o português todo aquele emaranhado de frases soltas, neologismos e expressões sem que eles perdessem o sentido ou o estilo. A imersão de Fábio Fernandes é tão grande que temos a sensação de que o livro foi escrito originalmente em português.

“Neuromancer” é uma fábula tecnológica sobre o que é ser humano e o que nos motiva a viver. Apesar de toda essa camada de aparelhos, realidade virtual e prazeres artificiais, a humanidade é movida por algumas questões primordiais: o existencialismo, o amor e a filosofia.

Ilustração – Camaleão

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