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Brian Wood mostra muitos lugares que poderiam ser qualquer Local

em agosto 21 | em HQs | por | com 1 Comment

Pequenas cidades sempre são usadas como cenários para histórias intimistas sobre pessoas desajustadas, que tem uma visão mais ampla que seus vizinhos. Normalmente, um autor escolhe uma cidadezinha e constrói toda uma trama em torno dela, como é o caso de “Mundo Fantasma” (Gal Editora) de Daniel Clowes. Porém, estamos aqui pra falar de uma HQ, que não usou apenas uma, mas um monte de cidades pequenas e uma grande personagem para construir uma excelente história sobre autodescoberta: “Local” (Devir), com roteiros de Brian Wood (“Demo”, “ZDM”) e desenhos de Ryan Kelly.

Megan é uma garota insegura e cheia de segredos que começa sua história imaginando o que pode acontecer com ela se entrar na farmácia para comprar drogas para seu namorado junkie. Depois da primeira edição, cada capítulo mostra outra cidade pequena dos Estados Unidos e uma história envolvendo a garota ou alguém do universo em torno dela.

Após ganhar minha eterna devoção com a série “ZDM” (Panini), graças aos roteiros de “Local”. Brian Wood conseguiu aumentar mais ainda minha admiração por seu trabalho. Sua qualidade como roteirista está na capacidade de humanizar personagens à moda de nomes como o já citado Daniel Clowes, Harvey Pekar e os célebres Irmãos Hernandez.

O traço ficou por conta do talentoso Ryan Kelly que ainda é um pouco desconhecido pelo público brasileiro, mas já desenhou arcos de séries bacanudas como “Lucifer”, “Books of Magic”, “Northlanders” e a já citada “ZDM”, do selo Vertigo. Vale ressaltar que o traço de Kelly lembra um bocado o trabalho de Becky Cloonan quando colaborou com o Wood em “Demo”. Não é a toa que Ryan Kelly fez a arte-final para a Cloonan na sensancional, e inédita por aqui, “American Virgin”.

“Local” foi originalmente publicada como uma revista independente com 12 partes pela editora Oni Press, mas por aqui foi lançada, pela Devir, em dois encadernados “Local – Ponto de Partida” e “Local – Fim da Jornada”. Ambas recheada de extras: esboços, roteiros, comentários dos autores, indicações de trilhas sonoras… resumindo, é um prato cheio para quem acredita que uma história em quadrinhos tem que ser uma experiência completa.

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