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Mondo Trasho #3 – Chumbinho, o anão galã da Boca do Lixo

em agosto 9 | em Cinema, Opinião, Trash | por | com 12 Comments

As muitas vidas do anão Chumbinho.

Está certo, em vários sentidos, o dito popular de que o brasileiro não tem memória; seria válido acrescentar também que o brasileiro, em outros sentidos mais, não tem orgulho de si mesmo. É interessante sair pelos cineclubes da vida, apenas para encontrar toda uma juventude reunida orgulhosamente em torno dos heróis trashs americanos e europeus, enquanto cineastas brasileiros do mesmo calibre seguem no limbo, de onde provavelmente não sairão tão cedo.

Não me entendam mal, considero John Waters, apenas para tomar um exemplo mais conhecido, um cineasta excepcional, e meu apreço por ele me fez escolher o nome dessa coluna temática no Contraversão. Porém, acho uma merda que um diretor como Sady Baby, uma das figuras mais fodas, fodidas e talvez geniais de nossa cinematografia continue amargando o esquecimento. As coisas estão mudando de certa forma, e podemos ver iniciativas excelentes da Cinemateca Nacional em trazer esses filmes ao público, por exemplo, mas o fato é que um país em que as pessoas atiram copos de plástico em um de seus cineastas mais importantes (como aconteceu com José Mojica Marins em uma das últimas Viradas Culturais) não merece seu próprio cinema.

A coluna de hoje tinha como objetivo abordar a vida e a obra do ator conhecido como Chumbinho, figura onipresente dentro da produção tardia da Boca do Lixo de São Paulo. Contudo, poderei abordar apenas a obra; não consegui encontrar em nenhuma fonte informações suficientes sobre sua biografia, a ponto de não saber nem ao menos seu nome verdadeiro. Com o boato de que Chumbinho teria morrido semana passada circulando pela internet, essa edição da Mondo Trasho pretendia fazer uma homenagem final ao anão mais “fodelão” da Boca do Lixo.

Será uma homenagem, mas não será derradeira. Assumo aqui o compromisso de buscar informações verdadeiras sobre Chumbinho, que postarei em uma edição futura da coluna. E na falta do artista como pessoa, podemos encontrá-lo como indivíduo através de seus personagens; assim, convido-os ao panorama que fiz das obras mais importantes do pequeno notável, tentando entender um pouco sobre o misterioso Chumbinho através de sua carreira. 

Infelizmente, não assisti (ainda) a todos os filmes da lista, por isso não me estenderei em todos os comentários. Vocês perceberão,porém, que alguns títulos falam por si próprios.

Como por exemplo…

“EDIFÍCIO TREME-TREME”, de Nilton Nascimento (1984) – Em seu primeiro papel de destaque, Chumbinho interpreta um zelador de um prédio decadente, que passa as noites espionando a vida sexual de seus moradores. O papel de “narrador voyeur” foi uma constante na carreira de Chumbinho, e aqui é possível encontrar seu filme inicial nessa posição. Quem assistiu ao filme, destaca as cenas de incesto entre um tio e suas sobrinhas, e uma ridícula seita satanista.

“O ANALISTA DE TARAS DELICIOSAS”, de Fauzi Mansur (1984) – Chumbinho interpreta uma versão brasileira do Tatoo nessa paródia explícita do seriado “Ilha da Fantasia”. Os clientes tem todos seus desejos realizados, desde sexo com atrizes de Hollywood (na verdade sósias capengas), até aventuras no velho oeste, ou orgias com freiras. A interação entre o dono da ilha, interpretado por Alan Fontaine, e Chumbinho, constituem as cenas mais engraçadas do filme.

 “ALUCINAÇÕES SEXUAIS DE UM MACACO - O MACACO QUEBRA-GALHO”, de Custódio Gomes (1986) – Um dos filmes mais infames da Boca do Lixo, conta a história de uma editora de cinema que é obrigada a assistir cenas de outras fitas eróticas. Não seria uma película fora do comum, apenas oportunista em usar imagens de terceiros, se não fosse por um detalhe sórdido: a editora é assombrada por sonhos sexuais com uma fantasia de macaco que mantém em seu quarto. Chumbinho é o ator dentro da fantasia, e é dublado por um estranho imitador do Fred Flintstone, como vocês podem ver no hilário vídeo a seguir…

Também não vi esse filme, mas pelo que percebo o título ideal seria “Alucinações sexuais COM um macaco”, e não “DE um macaco”. A menos que a fita tenha uma reviravolta a lá Shyamalan, na qual descobrimos que o filme inteiro era, de fato, a alucinação de um macaco de verdade. O que rapidamente o tornaria o melhor filme de todos os tempos, na minha concepção.

“UM PISTOLEIRO CHAMADO PAPACO” (AKA: “OS AMORES DE UM PISTOLEIRO”), de Mário Vaz Filho (1986) – Uma das melhores pornochanchadas dessa fase da Boca do Lixo, conta a história de Papaco (Fernando Benini), que cruza o oeste arrastando um caixão misterioso, que guarda algo de valor, a lá “Django”. No caminho, duela com vários bandidos, sodomiza  sem piedade o pobre Sancho Favela (Paco Sanchez), e acaba por acolher a jovem Linda (Márcia Ferro), depois de matar seus quatro maridos. O casal corre perigo quando o caixão se torna alvo da cafetina Jane (Nikita), que conta com a ajuda de seu terrível assistente Big Boy (Chumbinho) para recuperar a mercadoria.

 

Um filme cheio de sequências hilárias, cujas frases aos poucos estão se tornando memes dentro da internet. A história do pistoleiro que “mata mais que a AIDS” é uma sátira bem conduzida aos “westerns spaghetti”, na qual as piadas ora funcionam muito bem, ora apresentam aquele humor sujo e involuntário típico das produções da Boca. Aqui temos um dos papéis mais famosos de Chumbinho, que possui finalmente a oportunidade de atuar com mais diálogos.

O filme inteiro pode ser encontrado no youtube, sem as cenas de sexo (o que não é uma perda tão grande). O vídeo abaixo é uma copilação de cenas que, embora sem a presença de Chumbinho, são muito engraçadas.

 

“SENTA NO MEU QUE EU ENTRO NA TUA”, de Ody Fraga (1986) – Outro clássico da pornochanchada, que em breve ganhará seu próprio artigo aqui no Mondo Trasho. São duas histórias: a primeira sobre uma vagina falante, a segunda sobre um homem em cuja cabeça nasce um pinto. Chumbinho participa do primeiro seguimento, interpretando o jardineiro da família; seu personagem é rejeitado pela xana falante, contudo, ganha a honra de proferir o diálogo que resume o filme: “Mas que putaria!“.

“FUK FUK À BRASILEIRA”, de Jean Garrett (1986) –  No que talvez seja o papel mais significativo de sua carreira, Chumbinho interpreta Siri, um “anão negro, feio, semi-analfabeto, mas com os poderes da telepatia”, segundo as palavras do próprio filme. A história começa quando Siri é atacado sexualmente por seu pai adotivo, e obrigado a fugir pela privada, vivendo muitas desventuras pela cidade, na companhia de sua coleção de vibradores. Em seu caminho, cruza com portuguesas ninfomaníacas, jegues falantes, bêbados inveterados, e naves alienígenas fálicas em busca de prazer.

Na imagem: contatos imediatos.

Um filme muito criativo e demente, que precisa ser visto, e não comentado. Vale destacar que a película apresenta também uma das atuações mais divertidas de Chumbinho, graças ao modo indiferente com que encara os elementos absurdos que encontra em sua jornada.

“TARAS DO MINI-VAMPIRO”, de José Adalto Cardoso (1987) – Chumbinho interpreta um vampiro banguela que aterroriza uma cidadezinha do interior. O prefeito da cidade decide chamar um caçador de monstros (Renalto Alves) para acabar com ele, mas os dois se tornam amigos, e o caçador promete encontrar um jeito para que o vampiro se alimente. Infelizmente, ainda não vi esse filme também, que é bem elogiado entre os fãs do trash.

 

Diversas fontes apontam “As Taras de um Mini-Vampiro” como o último filme de Chumbinho. Ainda que seus filmes mais conhecidos tenham sido realizados em um curto período de três anos, sua presença em tela foi marcante o suficiente, tornando-o um dos maiores ícones dentro da produção da Boca do Lixo. Esteja onde estiver, espero que Chumbinho saiba dos risos que seu charme tosco provocou nos espectadores, e que ainda provocará, caso sua obra receba um dia o reconhecimento que merece.

E que descanse em paz, na pior das hipóteses.

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12 Responses to Mondo Trasho #3 – Chumbinho, o anão galã da Boca do Lixo

  1. Grande Lisboa! Bom poder ver seus comentários aqui, após anos de termos estudado o colegial juntos,e  sempre conversarmos sobre estes filmes trashs de boa (ou péssima, mas ainda boa) qualidade! ^^

    Como prometido, continuarei á procura de Chumbinho!

  2. Meu nome disse:

    Velho, na boa… você precisa fazer um post sobre Sady Baby. 

  3. @gabidogato disse:

    ALUCINAÇÕES SEXUAIS DE UM MACACO - O MACACO QUEBRA-GALHO

  4. Fábio Sousa disse:

    Cara, você não mencionou um outro clássico da carreira de Chumbinho: “Bobeou, entrou”. Pesquisa ai. Abraço.

  5. Fábio Sousa disse:

    Cara, você não mencionou um outro clássico da carreira de Chumbinho: “Bobeou, entrou”. Pesquisa ai. Abraço.

  6. Fábio Sousa disse:

    Cara, você não mencionou um outro clássico da carreira de Chumbinho: “Bobeou, entrou”. Pesquisa ai. Abraço.

  7. Fábio Sousa disse:

    Cara, você não mencionou um outro clássico da carreira de Chumbinho: “Bobeou, entrou”. Pesquisa ai. Abraço.

  8. Fábio Sousa disse:

    Cara, você não mencionou um outro clássico da carreira de Chumbinho: “Bobeou, entrou”. Pesquisa ai. Abraço.

  9. Fábio Sousa disse:

    Cara, você não mencionou um outro clássico da carreira de Chumbinho: “Bobeou, entrou”. Pesquisa ai. Abraço.

  10. Fábio Sousa disse:

    Cara, você não mencionou um outro clássico da carreira de Chumbinho: “Bobeou, entrou”. Pesquisa ai. Abraço.

  11. Fábio Sousa disse:

    Cara, você não mencionou um outro clássico da carreira de Chumbinho: “Bobeou, entrou”. Pesquisa ai. Abraço.

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