Medo, loucura e suspense em 140 caracteres

em outubro 27 | em Uncategorized | por | com No Comments

Por Aléssio Esteves

Apesar da enorme quantidade de opiniões, textos, relatos e outros textos inclassificáveis no Twitter, muita gente tenta fazer Literatura naquele pequeno espaço. Eu digo “tentam”, porque é extremamente difícil escrever uma narrativa completa em 140 toques.

Uma busca no Twitter pelas hashtags #CurtaConto ou #MicroConto revela que muitos confundem um mero diálogo ou um simples trecho de texto como um conto completo, mas não é assim que funciona. E Paulo Fodra veio nos mostrar que não só que é possível fazer literatura das boas no pequeno espaço do Twitter, como também que funciona perfeitamente no formato impresso!


Deixou um recado a si mesma no espelho: ‘Não sou esquizofrênica’. Pensou um pouco, e acrescentou embaixo: ‘Nem eu’”.

Pois é isto mesmo que o autor nos apresenta em “Insólito – Microalucinações”, uma obra com quase 200 microcontos. São diversos crimes, graus variados de loucura, monstros e outras situações que não ouso citar neste blog família.

Paulo Fodra apresenta esse seu trabalho faz algum tempo já no Twitter e a editora Multifoco resolveu compilar os piores microcontos nesta obra que faz jus ao seu título. O resultado é um livro que aparentemente é de leitura fácil, mas logo vemos que tamanho não é documento. Como o espaço é mínimo, não há como tecer grandes descrições ou enrolar o leitor, então é tudo jogado na nossa cara sem firulas. Porém, longe de soar banal ou de querer causar o “choque pelo choque”, o autor nos brinda com uma série de situações que parecem cotidianas paras os diversos personagens que as vivem, mas que se mostram perturbadoras para quem observa de fora.


AGORA! Ela enterrou o garfo no olho dele, que caiu morto. Não encontrou a chave de algema. Continuava presa ao cano”.

Pior ainda, alguns contos são nos apresentados com tanta naturalidade que somente em uma segunda leitura percebemos o quão horrível ou sinistra era a situação. E depois percebemos que, caso não tivéssemos lido novamente, teríamos achado aquilo normal.

A única ressalva fica por conta da capa, onde os caracteres indicando o título da obra e sua autoria estão muito claras e finas. De perto o resultado é bonito, mas dificulta a identificação da obra em uma prateleira, por exemplo, coisa que a lombada em branco não ajuda também.

Sinto falta do meu rim. Mas, se eu pudesse voltar atrás, queria mesmo era ter comido a mulher que o levou”.

Mais do que um desafio ao autor, este também é um desafio a nós leitores, pois umas vez que os espaços deixados em branco pelo escritor começam ser preenchidos por nós, percebemos que a loucura e o terror são muitos mais cotidianos do que parecem…

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