National Kid

Japanóia #24 – National Kid, o super-herói japonês que se imortalizou no Brasil

em janeiro 23 | em Televisão | por | com 1 Comment

National Kid

Quando conversamos sobre seriados japoneses, graças a internet, o público hoje em dia tem acesso a um grande acervo de títulos. Claro que nem sempre foi assim, sem acesso a informação ou qualquer crítica, por muito tempo nossos pais tiveram de consumir os famosos “enlatados”, a programação importada pelas redes de televisão brasileira. Durante o que alguns consideram a “era de ouro” da televisão nacional, nossos pais e irmãos mais velhos puderam conferir pérolas, clássicos e até mesmo sucessos inesperados. Muitos ainda lembram com carinho o seriado “National Kid”, que conquistou um imprevisto sucesso no território tupiniquim durante a década de sessenta.

A premissa da série nasceu de uma parceria entre a Toei Company e a extinta marca de eletroeletrônicos japonesa National Eletronics, que pretendia desenvolver um garoto propaganda voltado para o público infantil. A proposta foi passada para a Kodansha, uma editora de mangás bastante renomada no meio, onde o character concept foi desenvolvido pelo quadrinista e editor Daiji Kazumine, que buscou inspiração no “Superman” de Jerry Siegel e Joe Shuster para conceber a personagem. Curiosamente, na década seguinte Daiji Kazumine seria responsável pelo roteiro de “Spectreman“, outro clássico japonês da televisão brasileira.

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Os executivos da Toei Company e National Eletronics perceberam que a série podia ser desenvolvida como tokusatsu, com atores reais e merchandising dos produtos da  National Eletronics espalhados pelas cenas. Assim nasceu a série como nós conhecemos, sendo a 4ª produção do tipo realizada pela Toei, muito antes do emblemático “Kamen Raider“.

A premissa do roteiro é simples, “Kid” é um alienígena do planeta Andrômeda que vem para Terra estudar os costumes dos seres humanos. Afeiçoado pelos terráqueos, Kid adota a identidade do Professor Massao Hata e passar a cuidar de cinco crianças órfãos. Quando a terra é ameaçada por outras raças invasores, como os Incas Venusianos, Massao Hata se transforma no National Kid, um super-herói prateado munido de capa e uma pistola “desintegradora”.

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A produção da série era bastante amadora. Muitos dos efeitos especiais lembram os clássicos do cinema trash que Ed Wood imortalizou em Hollywood. Estamos falando de discos voadores pendurados por barbantes e raios de energia que deviam ficar por conta da imaginação do espectador. Vale lembrar que a série foi produzida em preto e branco, antes dos televisores a cores debutarem no mercado. A série também contava com um elenco pequeno e volátil, com atores interpretando até dois personagens em alguns episódios. Ichiro Kojima, o ator responsável pelo papel do National Kid foi trocado no meio da série por Tatsume Shiutaro, sem nenhuma desculpa ou justificativa no roteiro.

Em seu país de origem, a série provou ser um verdadeiro fracasso comercial. Sua exibição durou pouco mais de um ano, com 39 episódios ao todo. Entretanto no Brasil, a série mostrou um sucesso inesperado. National Kid foi exibido pela primeira vez no país em 1964, com diversas reprises até o início da década de 70. O sucesso da série se deve, quando em muito, por ser uma produção diferente de qualquer coisa exibida na televisão brasileira na época. Acostumados com desenhos e seriados norte-americanos, National Kid apresentou ao público brasileiro  algo diferente dos enlatados norte-americanos. A série teve sua publicação suspensa em 1970 graças a intervenção da ditadura militar. Por alguma lógica bizarra, National Kid era uma afronta ao Decreto-Lei nº 1.077, de 26 de Janeiro de 1970, que podia censurar qualquer coisa que atentasse contra a “moral e os bons costumes” do povo brasileiro.

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Durante a década de setenta, um incêndio nos estúdios da TV Record destruiria boa parte do acervo em vídeo da emissora, incluindo os originais dublados do seriado. National Kid só voltaria a ser exibido no Brasil na década de noventa. A Sato Company, uma distribuidora bastante atuante na época realizou uma parceria com a Toei para trazer novas cópias da série para o Brasil. National Kid passou a ser exibido no bloco “Japan Action”, da extinta TV Manchete, ao lado de outros clássicos como “Ultraman“.

National Kid conquistou um espaço de carinho na cultura popular brasileira. O personagem apareceu no desfile da escola de samba carioca Unidos da Tijuca em 2009. Uma história bacana no Rio de Janeiro se refere a pichação “celacanto provoca maremoto“,  frase que se originou de um diálogo do seriado. A pequena brincadeira do jornalista Carlos Alberto Teixeira em muros da cidade maravilhosa levantou todo tipo de especulação na década de 70, atraindo a atenção de jornalistas e até mesmo a polícia. A expressão é famosa e até hoje é lembrada com humor.

É impossível dissociar National Kid da infância de milhares de brasileiros. Um breve seriado que, embora um fracasso em seu país de origem, conseguiu conquistar nossas audiências com uma dose saudável de novidades e enredo sem grandes pretensões. Os nostálgicos ou aqueles mais novos que ainda não puderam conhecer esse clássico da televisão brasileira podem procurar os diversos box de DVDs da série.  Não perca a chance de cumprimentar seus amigos dizendo “Auika“!

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One Response to Japanóia #24 – National Kid, o super-herói japonês que se imortalizou no Brasil

  1. Ricardo disse:

    Lembro de ter alugado um VHS com alguns episódios dessa série nos anos 90 (não me recordo o ano exato). Mesmo com a imagem “pulando” o tempo todo pela má qualidade, era diversão garantida. Clássico absoluto!

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