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Japanóia #13 – Tokyo Gore Police – o sangrento trash de Yoshiro Nishimura

em agosto 20 | em Cinema, Trash | por | com 1 Comment

Em um futuro próximo, criaturas misteriosas conhecidas como “Engineers” aterrorizam o Japão. Aparentemente seres humanos comuns, os engineers são capazes de transformar partes de seus corpos em armas a partir de ferimentos e amputações. Para lidar com a crescente onda de violência, a polícia de Tóquio é privatizada para treinar um esquadrão conhecido como “Engineer Hunters”, assassinos treinados e capazes de aplicar métodos brutais para deter o inimigo.

Nas fileiras desse novo esquadrão está Ruka, interpretada pela atriz e modelo Eihi Shiina. Ruka é famosa entre seus colegas pela eficiência e sadismo ao matar seus inimigos. Em paralelo ao seu serviço, Ruka procura a verdade por trás do assassinato de seu pai, que foi morto na sua frente durante uma manifestação. Ruka não imagina que suas investigações podem revelar a origem por trás das criaturas e a própria privatização da força policial de Tóquio.

Este é o roteiro do novo clássico nipônico cult/trash “Tokyo Gore Police”, do diretor Yoshiro Nishimura, que tem ganhado fama entre os apreciadores de terror por estabelecer um novo gênero pro “gore”. Antes de começar a dirigir, Nishimura foi responsável pelos efeitos especiais em diversas produções do cinema alternativo/independente do Japão, em especial histórias de terror. Em seu currículo constaram filmes como Suicide Club”, “Meatball Machine” e “Machinegun Girl”. Todos produções de baixo orçamento e bastante comentadas pelos fãs do meio.

Em “Tokyo Gore Police”, Nishimura volta para mostrar o que lhe consagrou no cinema japonês: toneladas de sangue e tripas falsas. Em sua primeira direção comercial, o diretor toma as rédeas, explorando o conceito de “gore” e transformando o filme em uma viagem ácida, bizarra e visceral. Aqui temos de tudo: cadeiras humanas que mijam, tetas que lançam ácido, pintos gigantescos capazes de atirar projéteis, só para citar algumas das mais icônicas.

Tendo isto em mente, é interessante observar que o filme não se leva a sério. Mesmo com um roteiro extenso envolvendo o passado da protagonista e questões de tom sério como a privatização e o abuso de poder, o filme se preocupa mais em entreter os adeptos do gênero. Com os bonecos e próteses de borracha o filme lembra um pouco os antigos seriados tokusatsu, essa semelhança é reforçada com a presença de atores tradicionais desse meio, como Shun Sugata (que já interpretou um Kamen Raider) e o coreógrafo de artes marciais Tak Sakaguchi. Para aumentar o feeling de estranheza do filme, o elenco também conta com a presença da atriz pornô Tsugumi Nagasawa.

Amantes do cinema ocidental podem traçar paralelos entre os estilos de Yoshiro Nishimura e o cineasta canadense David Cronenberg. O último é famoso por ter sido uma das mentes que explorou o gênero “body horror”, histórias que desafiam os limites anatômicos do ser humano, geralmente acompanhado por cenas grotescas e explícitas.

“Tokyo Gore Police” é uma viagem só de ida para o absurdo. Ideal para o público que busca pelo “algo mais” do cinema marginal asiático. Saudosistas do bom trash vão amar a obra e, obviamente, o filme não é indicado para os fracos de estômago ou facilmente impressionáveis. Mas não vamos pensar nesse povo careta, “Tokyo Gore Police” é super indicado para você – que assim como eu – dá risada e se diverte com esse tipo de filme e vibra quando o sangue jorra aos litros.

 

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