vampiro_americano_1920x1080_0

Entrevista com o desenhista da HQ “Vampiro Americano”

em julho 30 | em Entrevistas, HQs | por | com 1 Comment

Nos últimos anos, os vampiros se tornaram uma verdadeira febre graças ao fenômeno “Crepúsculo”, porém o mito foi pausterizado para atender ao público alvo. Óbvio que os representantes do terror não levariam essa apropriação na esportiva e dariam uma resposta a altura. Muitos foram os que tentaram dar novo fôlego aos vampiros de verdade, mas foi a história em quadrinhos “Vampiro Americano” (Panini), criada pelo roteirista Scott Snyder (“Monstro do Pântano”) e o desenhista Rafael Albuquerque (“Tune 8″), que conseguiu. A prova disso é que Stephen King (“Cemitério Maldito”, “O Iluminado”… e mais um bilhão de livros) gostou da ideia e topou escrever a origem do vampiro doidão Skinner Sweet, história paralela publicada nas 5 primeiras edições da revista.

No entanto, o maior destaque dessa publicação da Vertigo fica por conta do brasileiro Rafael Albuquerque, que deu vida própria para cada um dos personagens e tem uma habilidade narrativa impressionante. Acredito que sem o trabalho dele, essa história em quadrinhos não teria a mesma graça. Por conta dessa qualidade absurda, entrevistamos o cara e o resultado você confere a seguir:

- Por estar nos dois mercados, você tem uma visão privilegiada deles. Quais são as diferenças entre o mercado nacional e o americano?

O tamanho é a principal diferença. O mercado nacional está começando a surgir. Ainda não existe uma definicão clara entre qual é a melhor e mais lucrativa maneira de se publicar. No momento, uma editora não é a única solução. Nos EUA, por exemplo, onde isso já está mais estabelecido, trabalhar para uma editora, que paga um page-rate ou um bom adiantamento, parece um negócio mais seguro. Outra diferença é a quantidade de públicos que atinge um mercado como o gringo. Aqui a coisa ainda está começando a ser desenvolvida.

- Como foi trabalhar com um escritor renomado como Stephen King? Crescemos vendo muitas adaptações da obra dele para o cinema, mas o roteiro dele ficou muito bacana. Você acha que ele voltará a escrever “Vampiro Americano”?

Trabalhar com ele foi um aprendizado mútuo. Foi muito interessante acompanhar dos bastidores ele aprendendo a lidar com essa nova linguagem, mas também é impressionante a facilidade que ele tem para desenvolver ideias. Quanto a uma nova participação, não temos nada planejado por enquanto, mas com certeza, adoraria trabalhar com ele de novo.

- Seu trabalho tem uma qualidade inegável, mas parece que você desenha na velocidade da luz! Conta um pouco do seu processo de produção e como é fazer toda a arte das tuas páginas.

Obrigado. Tento manter uma disciplina de produção, e me viro bem fazendo projetos paralelos. Meu estilo também é agil, então consigo uma boa produção diária.

- O que acha dessa onda de vampiros fofinhos e brilhantes?

Não vi os filmes nem li os livros. Deve ser ruim, mas quem sou eu pra dizer?

- Notei que o roteiro de Scott Snyder é muito aberto a “interpretação” do desenhista. Como é ter essa responsa de praticamente controlar toda a narrativa visual da HQ?

É o meu trabalho. Nem saberia trabalhar de outro jeito, pois não seria um colaborador. Não consigo achar graça em trabalhar em um roteiro em que eu não tenha como colocar minha visão em cima.

- Quais são as principais influências culturais que formataram seu trabalho como quadrinista?

Cinema, principalmente. Quadrinhos, claro, mas minha principal referencia visual vem da narrativa cnematografica.

- Dê algumas pistas do que os leitores brasileiros ainda vão encontrar nas próximas edições de “Vampiro Americano”.

Estamos trabalhando com dois arcos bem divertidos nos anos 50. Um é “Death Race”, que apresenta um dos meus personagens favoritos, Travis Kidd. Ele é um caçador de vampiros jovem, embalado por rock’n’roll e muitos carros envenenados. O outro arco, que estou desenhando agora, é “The Blacklist”. Este muito mais denso, mostra Pearl encontrando seu lado mais sombrio e entendendo o que é ser uma vampira de verdade.

- Tem mais algum projeto para sair?

Terminei de escrever duass histórias curtas do Batman, e devo começar a desenhar a primeira mes que vem. Esta, deve sair na linha de HQs digitais da DC, na revista “Tales of the Dark Knight”. A outra, faz parte de um projeto bem legal que a DC está preparando para 2013, e trará grandes autores criando suas versões para o Batman. O projeto deverá ser anunciado em breve. Além disso, estou negociando com editoras americanas a publicação de “Tune 8″ por lá. Isso já deve ocupar bastante do meu tempo.

 

Vampiro Americano” está sendo publicado pela Panini, tanto na revista mensal da Vertigo como em encadernados de luxo, e ganhou rapidamente uma legião de fãs brasileiros. Se você gostou do trabalho de Rafael Albuquerque, não deixe de ler a resenha de “Tune 8″, quadrinho lançado como uma tirinha do IG e que ganhou uma edição impressa independente.

Pin It

Posts Relacionados

One Response to Entrevista com o desenhista da HQ “Vampiro Americano”

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

« »

Contraudição

Scroll to top