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Cotoco, uma doença literária altamente transmissível

em dezembro 27 | em Literatura | por | com 1 Comment

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Quando estava no meio de Cotoco – O Diário (perversamente engraçado) de um Garoto de 13 Anos (Intrínseca), comecei a enrolar a leitura e até voltar alguns capítulos, que acreditava ter lido sem atenção no ônibus. A verdade é que eu não queria que o livro acabasse! A única solução que encontrei foi indicar para minha mulher, que terminou de ler e ficou horas discutindo comigo. Só que isso não bastou, então decidi infectar você!

“Cotoco” conta a história de um menino chamado John Milton, que ganhou esse apelido por ter as partes íntimas pouco desenvolvidas, apesar dos 13 anos. Não, o livro não fala sobre a vida sofrida e regada a bullying do garoto! Muito pelo contrário, quem lê essas páginas é levado diretamente para o meio da turma d’Os Oito Loucos, um bando de moleques que está sempre inventando a próxima maluquice para sobreviver à chatice do colégio interno.

O autor sul-africano John Van de Ruit tem um senso de humor incrível e parece ter carregado a obra com hilárias referências autobiográficas. Fica impossível não se identificar com um d’Os Oito Loucos e não querer estar de bobeira naquele quarto de república onde tudo pode acontecer por causa daqueles pivetes surtados. Sente o nível dos apelidos da molecada: Lagartixa, Rambo, Rain Man, Cachorro Doido e Barril.

Apesar da pequenez sexual, o jovem Cotoco é o galã de sua escola e acaba sendo cobiçado pelas garotas que aparecem pelo seu caminho. Só que o bicho pega mesmo quando ele fica famoso na escola e tem que usar o cabelo comprido, não vou contar mais pra não estragar a surpresa. A meninada cai matando em cima do menino.

Outro lado da obra que deve ser ressaltado é que a história se passa em 1990 na África do Sul, onde Nelson Mandela está prestes a ser libertado e toda a comunidade está discutindo isso. Tanto Cotoco como o país em que ele mora estão passando por um período de mudanças tanto físicas quanto psicológicas.

A literatura sul-africana é apresentada por meio das indicações infalíveis do carismático professor Guv. Logo na primeira, ele apresentou a obra de forma tão sedutora que parei a leitura de “Cotoco” para ler a peça “Esperando Godot”, de Samuel Beckett, que há meses estava parada em minha prateleira. Sem falar que o professor sempre estava bêbado, falando um monte de besteiras durante as aulas e sendo muito engraçado.

Outros que quase me mataram de rir foram os pais de Cotoco que, quando não estão causando em casa, vão torcer escandalosamente nos jogo de críquete do filho na escola e aproveitam para tomar todas junto com o professor Guv.

Imagine uma mistura de “A Sociedade dos Poetas Mortos” com o nível de maluquices de um Harry Potter sem magia e uma pitada de realidade pra tornar tudo mais próximo do que todos passam na infância. Um livro que vai te devorar do começo ao fim, mas não leiam com muita pressa. Foi assim que acabei sendo obrigado a transmitir esse vício para vocês.

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  • Wes

    Ano que vem eu leio.

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