538484_10150715961894443_227703322_n

Catoteca #24 – Entrevista com Daniel Ete, ilustrador, músico e mente perturbada

em agosto 28 | em Arte, Música | por | com 2 Comments

Se existe um nome a ser lembrado no cenário da cultura underground no interior paulistano, é o de Daniel Pacetta Giometti. Ou melhor, de Ete, já que ninguém chama ele pelo nome. Músico, ilustrador, dono de uma loja de discos no melhor estilo Championship Vinyl (se “Alta Fidelidade” tivesse sido escrito por George A. Romero), o cara é um dos grandes agitadores culturais de Campinas e região.

É reconhecido por ter feito parte de uma das grandes bandas do underground rocker noventista, os divertidos Muzzarelas, onde tocava baixo e fazia backing vocals, além de colaborar nas músicas. Estas falavam sobre zumbis, hamburgueres assassinos, garotas, robôs gigantes, drogas, monstros e principalmente cerveja. Muita cerveja. Sua arte anda de mãos dadas com tudo isso: suas obras sempre mostram caveiras, monstros, capetinhas, garrafas (normalmente cheias) e os mais variados monstrinhos e freaks.

Conheça um pouco da arte de Daniel Ete na galeria abaixo:

Confira uma entrevista musical/artística com Ete:

Quando você começou a desenhar?
Ete – Acho que foi antes de aprender a ler e escrever, segundo relatos da minha mãe.

Já participou de exposições? Quais?
Ete – Já participei de algumas coletivas na Choque Cultural e em alguns outros lugares, que coincidentemente estão sempre ligados a algum festival de música, como o Autorock em Campinas e o Cardápio Underground em Bragança Paulista. Atualmente estou expondo no Castelo Fora do Eixo, em Sorocaba, e em uma expo coletiva em Sumaré só com trampos feitos sobre deck de skate.

Quando você começou a se interessar por música?
Ete – Comecei a me interessar por música quando vi o Alice Cooper no “Muppet Show” quando eu tinha uns 10/11 anos… Depois o KISS veio tocar no Brasil em 1983 e eu perdi a cabeça: abri a porta e deixei o coisa ruim entrar. Na verdade, eu não me interessava muito por música antes de começar a ouvir rock, eu não gostava das músicas infantis da época nem do que eu tinha acesso via rádio e televisão, achava tudo chato pra caralho… eu só gostava dos Originais do Samba e das trilhas sonoras dos Western Spaguetti que eu assistia toda quinta feira no Bang Bang à italiana.

Quantas bandas você já teve?
Ete – Fiz minha primeira tentativa de banda aos 14 anos, junto com meus dois primos. A gente queria ser o Venom. Depois formei a minha primeira banda punk/HC aos 16 anos, o Víscera, que durou de 1987 a 1990. Depois montei os Muzzarelas, que duraram de 91 a 2011, e tem o Drakula, que eu formei em 2006 e toco até hoje. Tem também o Desenmascarado, que é mais recente. Mas já participei de outras bandas mesmo que sendo por pouco tempo, como o Epilepsy (thrash metal), Orestes Prezza (surf music instrumental), Lethal Charge (hardcore) e no Monomotor (cascola music).

Quais suas maiores influências musicais?
Ete – Sou completamente fanático doente pelos Ramones, e na sequência Black Sabbath, Motorhead, Clash e os Hard-ons. Mas quem me influenciou realmente e me mostrou como era ter uma banda, compor, produzir se apresentar, sair viajando e essa parada toda foram as bandas punks brasileiras, principalmente o Cólera e os Ratos de Porão. Foram esses caras que me mostraram o caminho. Me ensinaram realmente o que é tocar numa banda de rock não comercial/xexelento de plástico/embalo ridículo no Brasil. Na real, eu devo tudo a eles, até um pouco mais que isso. Esses caras salvaram a minha vida.

Você colabora com as letras nos seus projetos musicais?
Ete – Sempre participei da elaboração das letras principalmete nos Muzzarelas, aonde muitas letras começavam pelo título, mas gosto muito de trampar em parceria também, como tenho feito no Desenmascarado.

O quanto de sua arte aparece em sua música e vice-versa?
Ete – Às vezes, me perco entre esses dois mundos e acabo achando que são uma coisa só, e na verdade são. Só muda o meio, porque no fim a intenção é a mesma… Porra, eu nunca tinha pensado nisso…

Quais as suas influências na arte?
Ete – Mutarelli, Crumb, Pushead, Flávio Coli,, XNO, Danielone, Jim Phillips, Billy Argel Ray (dos Hard-ons) e do Mestre Túlio (DFC). Gosto muito também de desenhos animados da década de 60 e de pinturas de monstros daqueles trens-fantasma das antigas. Lembro que tinha um em São Vicente (SP) que era muito lindo e me fez realmente começar a desenhar monstros, caveiras e essa porra toda.

Você chegou a colaborar com quadrinhos, no “Matanza Comix”. Tem vontade de fazer mais quadrinhos?
Ete – Recentemente fiz um trampo para o “Tarja Preta”, e estou começando outro para a revista “Gente Feia na TV” (NdE.: do nosso colaborador Chico Félix), esse último provavelmente será feito em parceria com o Fábio Mozine e sua mente doente…

Com quais marcas você já trabalhou?
Ete – Fiz uns trampos para a ANTI, recentemente fiz uns shapes com desenhos do Dance of Days, Drakula e do Garage Fuzz para a Sick Mind, fiz também uma série para uma marca nova chamada Homesick… Ultimamente, tenho feito uns desenhos para a Weird, gosto muito da linha podreirona que eles seguem. Me perdoem se eu esqueci de alguém… Na verdade esqueci da minha marca mesmo, a Chopsuey, lanço uns desenhos novos a cada 3 ou 4 meses.

Vi esses dias que você também fez graffiti de uma obra sua. O que acha da arte urbana?
Ete – Gosto bastante de Grafitti, gosto até de pixo também, tem gente realmente boa nesse meio. Eu só não gosto de peças publicitárias, propaganda politica e essas porras que esses discípulos de Goebels ficam espalhando pela cidade.

Que material você costuma usar?
Ete – Costumo usar o bom e velho nanquinzão mesmo, pode ser caneta, pincel ou pena, mais tradicional que rótulo de maisena.

Quais seus próximos projetos em arte?
Ete – Estou juntando material para fazer um livro com todos os cartazes que eu já produzi, aproximadamente uns 200, mas o projeto ainda está bem no inicio.

E seus próximos projetos musicais?
Ete – Tenho uma banda nova o Desenmascarado, tipo um punk rock com toques de hard rock, logo logo estaremos disponibilizando nosso primeiro EP para download. E tem o Drakula,que está compondo material novo e tem tocado bastante por aí.

Os Muzzarelas acabaram, estão em hiato ou está em aberto?
Ete – Tudo na vida dos Muzzarelas sempre foi relacionada ao título das músicas dos Ramones: já passamos pelas fases “Now I Wanna Sniff Some Glue”, “I Just Wanna Have Something to Do”, “Somebody Put Something In My Drink”, “I Lost My Mind”… Agora estamos na fase “Endless Vacation”.

Ouça:

Muzzarelas no Myspace / Tramavirtual
Drakula no Myspace

Pin It

Posts Relacionados

  • Marcos Choba

    “Endless Vacation” …nãooooo!!!!

    • http://twitter.com/joaopedroramos João Pedro Ramos

      É, fiquei chateado com essa também. Um dos melhores shows que vi na vida: Muzzarelas no Bar do Zé, em 2005, se não me engano. Voltei pra casa encharcado de cerveja, e fiz quase todos os backing do show (roubei o microfone do Flávio).

« »

Scroll to top